O carro corta a noite como uma navalha fria.
Estou no banco do passageiro, as mãos enlaçadas no colo, os nós dos dedos brancos de tensão. Dante dirige com a concentração absoluta de quem está prestes a enfrentar um fantasma. Os faróis recortam a escuridão em feixes azulados, revelando asfalto molhado, postes que passam como espectadores silenciosos.
O frio dentro do carro não vem do ar-condicionado.
Ele percebe. Dante sempre percebe.
— Fala, — ordena, sem tirar os olhos da estrada. Sua voz é ba