DANTE
O silêncio que se seguiu à fuga de Elara durou menos de três segundos. Foi o tempo necessário para a imagem do vestido rosa desaparecer pela porta e para a realidade – brutal, calculada, venenosa – se reencaixar na minha mente com um estalo audível.
O olhar vazio que me dominara se quebrou. Não se dissolveu suavemente; foi estilhaçado por dentro por uma pressão vulcânica de fúria. A dor antiga, a que sempre habitou um quarto trancado a chave no meu peito, não tinha sido apenas revisitada.