Dois anos tinham passado, não num piscar de olhos, mas com aquela velocidade estranha das fases felizes, em que os dias são cheios, cansativos, barulhentos, e ainda assim, quando a gente se dá conta, já existe uma criança correndo pela casa, fotografias novas ocupando paredes antes vazias e uma rotina inteira construída em cima do que um dia pareceu impossível.
Bernardo tinha cinco anos agora.
Cinco anos de olhos atentos demais. Cinco anos de perguntas inconvenientes.Cinco anos de inteligência