Valentina acordou com o coração acelerado.
Por um segundo, não sabia onde estava.
Nem quando.
Nem como.
A última coisa que lembrava era o chão frio do quarto… o rosto ardendo… e a sensação sufocante de que o mundo inteiro tinha decidido esmagá-la naquela noite.
Agora estava na cama.
Com o cobertor puxado até a cintura.
A luz apagada.
O silêncio pesado demais para ser natural.
Ela piscou algumas vezes, tentando forçar a memória a preencher as lacunas… mas tudo o que encontrou foi um vazio nebuloso, quente, desconfortável.
Devagar, sentou-se à beira da cama.
A cabeça latejava.
O estômago embrulhava.
E o rosto… bom, o rosto queimava como lembrança viva do tapa.
Quando finalmente respirou fundo, a primeira coisa que fez foi caminhar até a porta.
Girou a maçaneta.
Nada.
Trancada.
Não precisou tentar uma segunda vez para entender.
Nem bater.
Nem chamar.
Ela conhecia bem o tipo de silêncio que responde com “não adianta”.
Aquele silêncio era Montenegro.
Valentina encostou a testa na porta por