A palavra ainda pairava no ar.
— Precisamos conversar.
Valentina sentiu o estômago afundar antes mesmo de responder. Não era o tom. Era o silêncio que veio depois. Aquele tipo de pausa que não existe por acaso — existe porque alguém decidiu que ela devia existir.
— Sim, dona Vittória… — disse, baixa.
A mesa de café permanecia intacta, quase ofensivamente perfeita. Porcelanas alinhadas, frutas cortadas com precisão, o café ainda quente. Tudo igual a todas as manhãs daquela casa.
Exceto o ar.
Vittória mantinha o sorriso nos lábios, mas os dedos apertavam a xícara com força excessiva. Havia algo contido ali. Algo prestes a escapar.
Valentina deu um passo à frente.
Foi quando o som estalou.
— CHEGA.
O impacto da mão de Augusto contra a mesa fez a porcelana vibrar. O barulho seco ecoou pela sala como um tiro contido. Xícaras bateram entre si. Um talher caiu.
Valentina deu um sobressalto tão forte que precisou apoiar a mão na cadeira para não perder o equilíbrio.
Vittória congelou.
Augusto