Valentina acordou com a sensação exata de ter sido atropelada por algo que não lembrava.
O corpo doía. Não uma dor pontual — mas uma dor espalhada, profunda, como se cada músculo tivesse trabalhado a noite inteira tentando sobreviver a alguma coisa invisível.
Ela abriu os olhos devagar.
O quarto era o mesmo. A luz da manhã entrava pelas cortinas claras. O cheiro era familiar.
Mas algo estava… fora do lugar.
Ela levou alguns segundos para perceber o quê.
Não havia ninguém ao lado da cama.
Nenhum peso. Nenhum calor. Nenhuma presença. Mas irritantemente o cheiro da colônia de Rafael estava ao seu lado.
Valentina franziu levemente a testa.
Tentou puxar a memória da noite anterior — e encontrou apenas fragmentos soltos, sem ordem.
O corpo se mexeu com dificuldade quando tentou se sentar. Os braços pareceram fracos demais para o gesto simples.
— Bom dia, senhora Montenegro.
A voz veio do canto do quarto.
Valentina virou o rosto.
Não era Janete.
A mulher que se aproximou tinha outro rosto,