O escritório ainda estava com o cheiro de uísque da noite anterior quando Rafael entrou. Moreira o aguardava como um soldado à espera de ordens.
— Trouxe o que pedi? — Rafael perguntou.
Moreira ergueu a pequena caixa como quem apresenta um artefato sagrado.
— Sim, senhor. Está configurado com todos os protocolos.
Rafael pegou o celular com um aceno curto.
— Vamos.
Subiram a escada em silêncio. O ar da mansão parecia mais pesado, como se soubesse o que ia acontecer.
Rafael bateu na porta.
Bianca abriu com o sorriso mais debochado da história das cunhadas improvisadas.
— Olhaaaa… quem apareceu. — ela cantarolou, abrindo mais a porta. — Entra, cunhado. A Val tá deitada.
Rafael entrou sem olhar muito para ela.
Valentina estava sentada na cama, costas retas, corpo frágil, expressão firme demais para alguém que quase morreu.
O olhar dela encontrou o dele por dois segundos.
Dois segundos que queimaram.
— Como você está? — Rafael perguntou, neutro como mármore.
Valentina abaixou os olhos.
— E