O retorno para a residência Yamamoto aconteceu do jeito que tudo naquela família parecia acontecer: sem barulho, sem pressa, sem sobras.
O carro deslizou pela alameda longa, ladeada por árvores perfeitamente podadas e lanternas de pedra que acendiam mesmo antes do sol desistir por completo. O campo de golfe ficou para trás como um cenário que tinha cumprido sua função — bonito, silencioso e, ainda assim, perigoso. Não pelo terreno. Pelo que ele revelava quando ninguém estava tentando revelar nada.
Valentina permaneceu com a postura correta no banco traseiro, as mãos unidas sobre o colo, o olhar voltado para a janela. O vento frio do lado de fora não entrava, mas a sensação ainda parecia ali dentro: a lembrança do braço de Rafael, a correção da postura, o toque breve no cabelo, o instante em que o mundo se contraiu e virou um ponto só.
Ela tentou não voltar para isso.
Tentou.
Mas era como tentar não notar um corte na pele: você só lembra que não deve pensar quando já está pensando.
Raf