CAPÍTULO 112 — À LUZ DO DIA

Quando Valentina chegou à sala, o almoço estava sendo servido, o ambiente já estava preparado: mesa ampla, madeira clara, louças discretas, pratos dispostos com precisão. O sol atravessava os painéis deslizantes e iluminava o espaço de maneira suave, sem invadir — como se até a luz soubesse respeitar limites.

Yamamoto já estava sentado à cabeceira.

Postura reta, expressão serena, olhar atento demais para ser casual.

À direita, Akemi.

À esquerda, Hana.

A ordem nunca mudava.

Rafael entrou logo atrás de Valentina. Moreira vinha alguns passos depois, carregando consigo aquela presença que não ocupa espaço, invisível como um bom funcionário.

— Bom apetite. — Yamamoto disse, simples.

Valentina sentou-se com cuidado, sentindo o leve cansaço do campo ainda nos músculos. O cheiro da comida era delicado, respeitoso. Nada disputava atenção.

O almoço japonês seguia o mesmo princípio do restante da casa: equilíbrio.

Arroz branco, peixe grelhado, legumes preparados com exatidão, sopa leve. Tudo ser
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