Mundo ficciónIniciar sesiónLogan Narrando
Olívia passou mal pouco tempo depois que meu pai saiu da minha casa. No começo ela tentou fingir que estava bem, dizendo que era só nervosismo, mas eu conhecia cada detalhe dela. Conhecia o jeito como as mãos começavam a tremer, a respiração ficando curta e os olhos enchendo de lágrimas antes mesmo que ela percebesse. Quando vi, ela já estava tendo uma crise de ansiedade. — Ei, ei… olha pra mim — falei rapidamente, segurando o rosto dela com cuidado. — Respira comigo. Ela balançava a cabeça negativamente enquanto chorava. — Eu vou te perder. — Não vai. — Vou sim. — a voz dela saiu falhada. — Você vai casar com outra mulher. Meu peito apertou na mesma hora. Puxei ela para o meu colo no sofá, abraçando seu corpo tremendo contra o meu. — Olívia, escuta o que eu estou dizendo. Ela tentou controlar a respiração enquanto eu fazia carinho nos cabelos dela. — Esse casamento não significa nada pra mim. — Mas significa pra sua família. Fechei os olhos por um segundo. Ela estava certa. E isso me irritava ainda mais. Peguei meu celular e liguei para a empresa, avisando que não ia. — Qualquer urgência me sinalizem — falei ao meu diretor. — Vou resolver tudo de casa. Desliguei sem dar espaço para perguntas. Meu lugar era ali, Com ela. Passei horas tentando acalmá-la. Fiz chá, deixei ela deitada no meu peito enquanto conversávamos baixinho, tentei distrair sua mente de todas as formas possíveis. Mas toda vez que ela parecia melhorar, o medo voltava. — E quando você estiver casado? — ela perguntou mais tarde, já com os olhos inchados de tanto chorar. — Você não vai mais querer saber de mim. Segurei o rosto dela imediatamente. — Nunca mais fala isso. Ela me encarou em silêncio. — Eu estou falando sério, Olivia. Isso nunca vai acontecer. — Mas você vai ter uma esposa. Soltei uma risada amarga. — Uma esposa no papel. Só isso. Passei o polegar delicadamente pela pele dela. — Esse casamento é apenas uma negociação ridícula entre famílias milionárias. Eu não tenho interesse nenhum nessa mulher. E é verdade. Olívia ficou quieta por alguns segundos antes de falar: — Eu conheço essa Emily Skye. Franzi a testa. — Conhece? Ela assentiu devagar. — Já vi em algumas festas. Ela anda muito com uma garota chamada Nathaly, acho que é a melhor amiga dela. Continuei ouvindo em silêncio. — Emily é linda, Logan. Muito linda. E também parece simpática, carismática. Revirei os olhos imediatamente. — Nenhuma mulher no mundo é mais linda e interessante do que você. Ela sorriu fraquinho pela primeira vez no dia. — Mentiroso. — Não sou. Beijei a testa dela demoradamente. E, aos poucos, consegui fazê-la se acalmar. Passamos o restante do dia juntos no quarto. Assistimos qualquer coisa aleatória na televisão, conversamos sobre viagens que queríamos fazer e até rimos algumas vezes. Quando percebi, ela já estava dormindo abraçada em mim. Olhei para Olívia por alguns segundos, observando o rosto tranquilo depois de horas difíceis. E então… Meu celular vibrou. Peguei o aparelho tentando não acordá-la. Várias chamadas perdidas do meu pai. — Droga. Na mesma hora sentei na cama, passando a mão no rosto. Eu tinha esquecido completamente do jantar. Talvez porque, no fundo, eu realmente não me importasse. Suspirei pegando o celular para mandar uma mensagem avisando que não iria. Mas antes que eu digitasse qualquer coisa, ele ligou novamente. Atendi. — O que foi? — perguntei baixo. — Onde você está? — a voz dele veio fria imediatamente. — Eu não vou. Silêncio. Aquele tipo de silêncio perigoso. — Escuta com atenção, Logan. Fechei os olhos já prevendo. — Você tem exatamente uma hora para chegar aqui. — Pai. — Se você não vier, amanhã mesmo eu te deserdo. Meu maxilar travou. — O quê? — Você ouviu. Ele continuou sem hesitar. — Te tiro da empresa. Acabo com a sua carreira nacional. Expulso você dessa cidade se for necessário. Meu sangue ferveu imediatamente. — Você está louco. — Não me teste. E desligou. Fiquei encarando o celular por alguns segundos. Conhecendo meu pai como eu conheço, sei que ele é perfeitamente capaz de cumprir cada ameaça. Olhei para Olívia dormindo na cama. Passei a mão no rosto lentamente antes de levantar. Eu não tenho opção. Fui até o banheiro, tomei um banho rápido e vesti um terno preto impecável. Ajustei o relógio no pulso, respirei fundo e encarei meu reflexo no espelho. Parecia exatamente o homem que meu pai queria que eu fosse. Mas por dentro. Eu estava indo conhecer a mulher que estavam tentando empurrar para minha vida. Assim que cheguei na casa dos meus pais, entreguei as chaves do carro para um dos funcionários e entrei sem vontade nenhuma de estar ali. O ambiente estava silencioso demais. Formal demais. Aquela casa sempre parecia mais um palco de negócios do que um lar. Afrouxei discretamente a gravata enquanto caminhava pelo enorme corredor até a antessala. E então eu a vi. Emily Skye. Ela estava sentada no sofá como se tivesse saído da capa de uma revista de luxo. O vestido moldava perfeitamente o corpo dela, o cabelo impecável caía pelos ombros em ondas sofisticadas e a postura elegante deixava claro que ela nasceu naquele tipo de ambiente. Bonita. Muito bonita. Mas a primeira coisa que realmente percebi foi o olhar Frio. Ela me encarou com o mesmo desprezo. Ótimo, Pelo menos o sentimento parecia recíproco. Caminhei de cabeça erguida até a sala enquanto meus pais praticamente respiravam alívio ao me ver entrando. — Finalmente — meu pai disse. Minha mãe tentou disfarçar o constrangimento sorrindo. — Logan, querido. Mas foi o senhor Skye quem falou primeiro: — Então esse é o futuro marido da minha filha. Quase revirei os olhos. Meu pai caminhou até nós imediatamente. — Logan, essa é Emily Skye. Como se eu não tivesse percebido. Voltei meu olhar para ela. Emily se levantou devagar, elegante demais até para demonstrar irritação. Estendi a mão por pura educação. — Prazer. Ela apertou minha mão apenas por obrigação. — Igualmente. — A voz dela era fria, Sem interesse. Sem encanto. Jantamos logo depois. Nossos pais conversavam animadamente sobre negócios, investimentos e o futuro brilhante daquela união enquanto Emily e eu não trocamos uma palavra. Às vezes eu percebia ela mexendo discretamente na taça de vinho claramente impaciente. Eu entendia perfeitamente. Depois de quase uma hora daquela tortura social, resolvi encerrar logo aquilo. — Emily — falei calmamente. — Vamos conversar um pouco? Acho que devemos nos conhecer. Nossos pais sorriram juntos de tão satisfeitos. Ridículo. Ela hesitou por um segundo antes de assentir. — Claro. Levantei primeiro e caminhei até a área externa da mansão. Emily veio logo atrás, mantendo certa distância de mim. O jardim estava silencioso, iluminado apenas pelas luzes suaves espalhadas pelo gramado impecável. Nos sentamos em um banco afastado da casa. E eu decidi ir direto ao ponto. — Vou poupar nós dois de fingimentos. Ela virou o rosto para mim imediatamente. — Ótimo. Eu também odeio fingir. Assenti. — Estou aceitando essa palhaçada porque estou sendo ameaçado pelo meu pai. Ela soltou uma pequena risada sem humor. — Então temos algo em comum. Observei ela por alguns segundos. — Tem alguém na minha vida. Preferi deixar claro desde o início. Emily não pareceu surpresa. Muito menos magoada. Na verdade, ela apenas suspirou. — Eu também estou sendo forçada a isso. O vento movimentou levemente os cabelos dela enquanto ela desviava o olhar para o jardim. — Meu pai praticamente vendeu minha vida em troca de favores financeiros. Aquilo me fez cerrar o maxilar. Porque eu entendia exatamente aquela sensação. Ficamos alguns segundos em silêncio até eu falar o que realmente importava. — Vamos casar porque aparentemente não temos escolha. Ela me encarou novamente. — Mas isso não significa que precisamos transformar isso em um inferno maior do que já é. Assenti lentamente. — Exatamente. Me inclinei um pouco para frente, apoiando os braços nos joelhos. — Cada um vive a própria vida. Ela arqueou levemente a sobrancelha. — Continue. — Você não se mete na minha, e eu não me meto na sua. Emily ficou em silêncio por alguns segundos, claramente analisando minhas palavras. — Liberdade dentro da prisão? — ela perguntou com ironia. — Algo assim. Ela respirou fundo. — Eu aceito uma condição. Franzi levemente o cenho. — Qual? — Discrição. Não quero escândalos envolvendo meu nome. Assenti imediatamente. — Isso vale para você também. Ela estendeu a mão novamente. — Então temos um acordo, Logan Taylor. Olhei para a mão dela por um instante antes de apertá-la. — Temos um acordo, Emily Skye. E naquele momento… Selamos o começo do casamento mais frio e calculado das nossas vidas.






