Mundo de ficçãoIniciar sessãoEmily Narrando
Virei as costas, e subi as escadas. Cada degrau parecia mais pesado que o anterior. Quando entrei no meu quarto, fechei a porta atrás de mim e fiquei parada no meio do cômodo em silêncio absoluto. Sentei lentamente na cama, sentindo o peito apertar tanto que chegava a doer fisicamente. Meus pais tinham decidido meu destino, Sem me ouvir. Sem se importar. Sem amor. A verdade era cruel demais para ser ignorada. Eles tinham me condenado em vida. Às sete da noite eu conhecerei o homem com quem meus pais decidiram que eu deveria me casar. Um desconhecido. Um acordo. Um sobrenome conveniente. Minha liberdade tinha data para acabar. Respirei fundo e caminhei até o closet. Se eu vou para minha própria execução, então pisarei nela impecável. Passei os olhos pelas roupas organizadas perfeitamente, os tecidos caros, os tons claros, as peças sofisticadas que eu mesma ajudava minha mãe a escolher em viagens para Paris e Milão. Tudo parecia vazio agora. Minha mão parou em um vestido preto. Elegante. Minimalista. Mortal. Retirei a peça lentamente do cabide. O tecido deslizava entre meus dedos como seda líquida. O vestido tinha um corte sofisticado, justo na medida certa, valorizando meu corpo sem exageros. As costas parcialmente abertas davam um toque refinado e poderoso ao visual. Parecia roupa de luto, talvez fosse. Porque eu estou indo enterrar minha liberdade. Escolhi um salto preto fino, alto o suficiente para me fazer parecer ainda mais inacessível. Depois abri a gaveta de lingerie e peguei um conjunto preto rendado delicado, porque se tinha uma coisa que ninguém naquela casa tiraria de mim, era minha vaidade. Fui até o banheiro e preparei a banheira. A água quente começou a subir lentamente enquanto eu prendia o cabelo. Tirei a roupa devagar, entrando na água quente e fechando os olhos por alguns segundos. Isso deveria me relaxar. Mas minha mente estava um caos. — Logan Taylor, Quem é ele? Será que também está sendo forçado? Ou é exatamente o tipo de homem que aceita controlar a vida de uma mulher sem se importar com o que ela sente? Afundei um pouco mais na água. Meu peito apertou só de pensar. Comecei pelos cabelos, lavando cada mecha com cuidado quase automático. Depois cuidei da pele, passei hidratante lentamente, como se atrasar minha preparação pudesse atrasar também o momento que estava chegando. Mas o relógio continuava andando. Sempre andando. Quando saí da banheira, comecei a maquiagem. Base leve. Pele impecável. Contorno suave. Delineado elegante. Um batom nude sofisticado. Nada exagerado. Eu precisava parecer exatamente o que esperavam de mim. Uma Skye perfeita. Mesmo estando destruída por dentro. Terminei o cabelo deixando os fios soltos em ondas alinhadas e sofisticadas. Depois vesti o vestido preto cuidadosamente, ajustando o tecido ao corpo diante do espelho. A mulher refletida ali parecia forte, Fria, Inatingível. Quase ninguém perceberia que ela estava desmoronando. Peguei meu perfume assinatura e borrifei lentamente no pescoço, pulsos e atrás das orelhas. Aroma sofisticado, marcante e elegante. Se essa noite ficará marcada para sempre na minha vida, então eu serei inesquecível. Peguei minha bolsa pequena e respirei fundo antes de sair do quarto. Quando desci as escadas, meus pais já estavam na sala. Meu pai impecável em um terno escuro. Minha mãe elegante como sempre. Assim que me viu, ela sorriu imediatamente. — Emily, você está magnífica. Assenti de leve sem responder. Porque se eu abrisse a boca, talvez dissesse algo que destruiria aquela falsa harmonia que eles insistiam em manter. Meu pai me observou em silêncio por alguns segundos, claramente satisfeito com o que via. Como se eu fosse um investimento prestes a ser entregue. Desviei o olhar rapidamente. — Vamos — ele disse. Peguei meu casaco sem dizer uma palavra e caminhei até o carro. O trajeto inteiro foi silencioso. Minha mãe tentou comentar sobre a família Taylor, sobre como eles eram influentes, respeitados e importantes. Meu pai respondeu algumas vezes, falando sobre negócios, poder e alianças como se estivesse discutindo ações da bolsa de valores. E talvez estivesse mesmo. Porque era exatamente isso que esse casamento é. Uma negociação. Fiquei olhando pela janela enquanto as luzes da cidade passavam depressa diante dos meus olhos. Meu coração batia pesado no peito. A cada minuto que passava, eu sentia que estava me afastando mais da vida que queria, e me aproximando da vida que escolheram para mim. Até que o carro começou a desacelerar. E então eu vi. A mansão dos Taylor. Imensa. Luxuosa. Intimidadora. Meu estômago revirou imediatamente. Era ali, O começo do fim da minha liberdade. Assim que entramos na mansão dos Taylor, senti como se tivesse atravessado a porta de um mundo ainda mais sufocante que o meu. Tudo ali gritava poder. Os lustres enormes, o mármore impecável, os quadros caríssimos espalhados pelas paredes e o silêncio elegante da casa davam a sensação de que qualquer erro seria imperdoável. Fomos recebidos pelos donos da casa logo na entrada. A mãe de Logan abriu um sorriso imediato ao me ver. — Meu Deus, você é ainda mais linda pessoalmente. Forcei um sorriso educado. — Obrigada. Ela segurou minhas mãos delicadamente enquanto me analisava dos pés à cabeça. — Elegante, sofisticada, exatamente como imaginei. Ao lado dela, o senhor Taylor parecia igualmente satisfeito. — A nora perfeita para nossa família — ele afirmou com orgulho. Nora. A palavra me deu vontade de fugir dali. Minha mãe sorriu satisfeita, claramente adorando ouvir aquilo. — Emily sempre foi impecável. Era engraçado como todos falavam sobre mim como se eu fosse um objeto raro sendo negociado entre famílias importantes. Fomos conduzidos até a sala principal, onde uma mesa elegante já estava preparada com taças de cristal e garrafas de champanhe. Sentei no sofá mantendo a postura perfeita enquanto os adultos conversavam sobre negócios, investimentos e eventos sociais como se aquele encontro fosse absolutamente normal. Mas eu não conseguia relaxar. Porque o homem com quem eu deveria noivar, nem sequer estava. O tempo foi passando devagar demais. Uma hora, depois outra, e eu continuava sentada ouvindo conversas que não me interessavam enquanto fingia educação. Quando o relógio marcou quase oito da noite, perdi a paciência. — Que horas o noivo chega? Minha pergunta fez o ambiente silenciar por um segundo. Minha mãe imediatamente me lançou aquele olhar clássico de repreensão. O tipo de olhar que dizia: comporte-se. Ignorei. O senhor Taylor soltou uma risada baixa, tentando aliviar o clima. — Com licença um momento, Emily. Tenho certeza de que Logan deve ter se atrasado por algo importante. Ele se levantou pegando o celular. Observei ele sair da sala enquanto apertava a taça de champanhe entre os dedos. Aquilo era ridículo. Alguns minutos depois, ele voltou. — Um imprevisto na empresa — explicou naturalmente. — Mas ele já está chegando. Assenti sem entusiasmo. Mais tempo passou. O relógio parecia andar de propósito apenas para me irritar. Já eram quase nove horas da noite e eu estava completamente cansada daquela situação. Pela segunda vez, me virei para meus pais. — Eu quero ir embora. — Emily. — minha mãe murmurou entre os dentes. — Estou aqui há horas esperando um homem que nem sequer teve a consideração de aparecer no próprio jantar de noivado. O clima ficou pesado novamente. Meu pai me encarou em silêncio, claramente irritado com minha falta de submissão. Eu já estava prestes a levantar do sofá quando ouvi passos vindo da entrada principal. Firmes, Calmos, Pesados. E então… Finalmente ele chegou.






