A Casa Que Não Era Um Lar

O carro atravessou os portões de ferro lentamente.

Verônica observava pela janela enquanto a paisagem mudava ao redor. A cidade foi ficando para trás, substituída por ruas mais largas, árvores altas e casas enormes escondidas atrás de muros.

Ela nunca tinha estado naquela parte da cidade antes.

Era o tipo de lugar que normalmente só aparecia em revistas de arquitetura ou em reportagens sobre empresários muito ricos.

O motorista fez uma curva suave e a mansão apareceu diante deles.

Verônica piscou algumas vezes.

— Você mora aqui? — perguntou ela.

Leon, sentado ao lado dela no banco de trás, respondeu com naturalidade:

— Moro.

A casa era enorme.

Não exageradamente extravagante, mas definitivamente imponente. Vidros altos, pedra clara, um jardim bem cuidado que parecia se estender por toda a propriedade.

Era bonito.

E também um pouco intimidante.

O carro parou diante da entrada principal.

Por um momento, Verônica ficou parada, olhando para a casa.

Aquilo agora também era… a casa dela.

A ideia parecia absurda.

— Tudo bem? — perguntou Leon.

Ela saiu do carro.

— Ainda estou tentando entender como minha vida virou isso.

Ele fechou a porta do carro atrás dela.

— Eu entendo.

— Duvido.

Leon não respondeu.

Talvez porque não tivesse uma resposta melhor.

Eles caminharam até a porta principal. Um funcionário abriu imediatamente.

— Senhor Alighieri.

Leon assentiu.

— Esta é Verônica.

O homem sorriu educadamente.

— Senhora Alighieri.

A palavra soou estranha.

Verônica quase olhou para trás para ver se estavam falando com outra pessoa.

Mas não.

Agora aquele era oficialmente o sobrenome dela também.

Eles entraram.

O interior da casa era silencioso.

Não havia aquela movimentação constante que ela imaginava em uma casa tão grande.

Na verdade, parecia quase vazio.

— Quantas pessoas moram aqui? — perguntou ela.

— Apenas eu.

— Só?

— Sim.

Ela olhou ao redor novamente.

A casa parecia grande demais para uma única pessoa.

Grande demais para não parecer solitária.

— Deve ser… quieto.

— Às vezes.

Leon começou a subir a escada.

— Vou mostrar seu quarto.

Ela o seguiu.

O corredor do andar de cima tinha grandes janelas que deixavam entrar muita luz. O piso de madeira clara rangia levemente sob os passos.

Leon parou diante de uma porta.

— Este é seu quarto.

Verônica abriu.

O espaço era maior do que o apartamento inteiro onde ela morava antes.

Uma cama enorme, uma varanda com vista para o jardim e um closet que parecia ter sido preparado recentemente.

— Você organizou isso tudo em um dia? — perguntou ela.

— Mais ou menos.

— Impressionante.

Leon apoiou a mão na maçaneta da porta.

— Meu quarto fica no final do corredor.

Ela levantou uma sobrancelha.

— Então nós não vamos…

— Não.

Ele respondeu antes que ela terminasse.

— Achei que preferiria assim.

Ela cruzou os braços.

— Achei certo.

Por um segundo estranho, os dois ficaram em silêncio.

Como se ainda estivessem tentando entender como aquela nova dinâmica funcionaria.

— Obrigado por confiar em mim — disse Leon.

Verônica soltou uma pequena risada.

— Eu não confiei.

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Então por que aceitou?

Ela pensou por um momento.

— Porque minha família precisava.

Leon assentiu.

Parecia entender.

— Se precisar de alguma coisa…

— Eu sei.

Ele deu um passo para trás.

— Vou deixar você descansar.

Quando a porta se fechou, Verônica finalmente ficou sozinha.

Ela caminhou até a varanda.

O jardim da mansão parecia ainda maior visto de cima.

O vento suave balançava as árvores.

Por um momento, tudo parecia calmo demais.

Como se nada de estranho estivesse acontecendo.

Mas dentro dela, a sensação era diferente.

Tudo estava mudando rápido demais.

Casamento.

Nova casa.

Um homem que ela ainda estava tentando entender.

E Daniel.

Ela sabia que aquela conversa pelo telefone não tinha sido o fim daquilo.

Daniel nunca foi do tipo que simplesmente desistia.

Verônica apoiou os braços no parapeito da varanda.

— O que eu fiz… — murmurou.

Mas naquele momento…

Em outro ponto da cidade…

Daniel estava sentado dentro de um carro estacionado.

Ele observava a entrada da mansão Alighieri.

O motor estava desligado.

As luzes também.

Ele estava ali havia mais de meia hora.

Apenas observando.

Quando viu as luzes do andar de cima acenderem, apertou o volante com força.

— Então você realmente foi morar com ele…

No banco ao lado havia um envelope.

Dentro dele estavam alguns documentos.

Relatórios financeiros.

E uma fotografia.

Daniel pegou a foto.

Era antiga.

Ele e Verônica sentados em um banco de praça, anos atrás.

Ele passou o polegar sobre a imagem.

— Eu devia ter impedido isso antes…

O olhar dele voltou para a mansão.

Os olhos agora estavam diferentes.

Mais duros.

Mais determinados.

— Eu não vou deixar ele destruir você.

Daniel ligou o carro.

Mas antes de ir embora, lançou um último olhar para a casa.

Porque na mente dele, aquilo ainda não tinha terminado.

Na verdade…

Para ele, aquilo estava apenas começando.

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