Um Acordo Sem Amor

O cartório era menor do que Verônica imaginava.

Nada de salões elegantes, flores ou convidados sorrindo. Apenas uma sala simples, algumas cadeiras e uma mesa de madeira onde os documentos estavam organizados.

Era estranho pensar que um momento que deveria ser tão importante estava acontecendo de forma tão… silenciosa.

Ela olhou ao redor.

Do lado de fora da janela, pessoas caminhavam pela rua como em qualquer outro dia. Algumas conversavam, outras passavam apressadas olhando o celular.

Ninguém fazia ideia de que, dentro daquela sala, ela estava prestes a se casar com um homem que conhecia há menos de vinte e quatro horas.

— Está pensando em desistir?

A voz de Leon a tirou dos pensamentos.

Verônica olhou para ele.

Ele estava sentado do outro lado da mesa, tranquilo demais para alguém que estava prestes a entrar em um casamento completamente fora do comum.

— Ainda tenho tempo? — perguntou ela.

Leon deu um leve encolher de ombros.

— Sempre tem.

— Engraçado… ontem parecia que eu não tinha nenhuma escolha.

— Ontem sua empresa estava prestes a quebrar.

— E hoje?

— Hoje também.

Ela soltou um pequeno suspiro.

— Pelo menos você é honesto.

O funcionário do cartório entrou na sala com alguns papéis.

— Podemos começar.

Verônica sentiu o estômago apertar.

Era isso.

Sem cerimônia.

Sem romantismo.

Apenas um acordo.

O homem começou a ler o documento com aquela voz neutra típica de quem já repetiu aquelas mesmas palavras centenas de vezes.

— Senhor Leon Alighieri, a partir deste momento o senhor aceita contrair matrimônio com a senhora Verônica Verdan…

As palavras passavam, mas Verônica mal prestava atenção.

Sua mente estava em outro lugar.

No hospital.

No rosto cansado da mãe.

Na empresa que estava desmoronando.

Talvez fosse isso que realmente estava acontecendo ali.

Não era um casamento.

Era um resgate.

— Senhorita Verdan?

Ela piscou.

— Desculpe… o que foi?

O funcionário repetiu a pergunta:

— A senhora aceita se casar com o senhor Leon Alighieri?

O silêncio na sala durou alguns segundos.

Ela olhou para Leon.

Ele também estava olhando para ela.

Não havia pressão naquele olhar.

Nem pressa.

Apenas espera.

Verônica respirou fundo.

— Aceito.

A palavra saiu mais baixa do que ela esperava.

O funcionário virou-se para Leon.

— Senhor Alighieri?

— Aceito.

Simples assim.

O homem sorriu levemente.

— Então declaro vocês oficialmente casados.

Nenhum aplauso.

Nenhuma música.

Apenas o som da caneta deslizando pelo papel enquanto assinavam os documentos.

Verônica olhou para a aliança simples que o funcionário colocou sobre a mesa.

Leon pegou primeiro.

Segurou a mão dela com cuidado.

Os dedos dele eram quentes.

Firmes.

Ele colocou a aliança lentamente.

Por um segundo estranho, aquilo pareceu real demais.

Quando terminou, foi a vez dela.

Ela pegou a outra aliança.

Olhando para a mão dele por um momento antes de colocá-la.

— Pronto — disse o funcionário.

E assim… acabou.

Eles estavam casados.

Quando saíram do cartório, o ar frio da rua pareceu diferente.

Mais pesado.

Verônica parou na calçada e olhou para o anel em seu dedo.

Ainda parecia estranho.

— Então é isso — disse ela.

Leon colocou as mãos no bolso do casaco.

— Então é isso.

— Agora você salva minha empresa.

— Já está sendo resolvido.

Ela virou para ele.

— Você é sempre tão direto assim?

— Ajuda a evitar problemas.

— Acho que nós vamos ter muitos problemas.

Ele quase sorriu.

Quase.

Mas antes que pudessem continuar a conversa, o celular de Verônica começou a tocar.

Ela olhou para a tela.

Daniel.

Seu coração deu um pequeno salto.

Leon percebeu a mudança na expressão dela.

— Algo errado?

Ela hesitou por um segundo.

— Não… é só um amigo.

Mas a ligação não parava.

Ela se afastou alguns passos para atender.

— Daniel?

Do outro lado da linha, a voz dele parecia tensa.

— Verônica… me diz que isso não é verdade.

Ela já sabia do que ele estava falando.

— Daniel—

— Eu acabei de ver a notícia.

O tom dele estava carregado de algo que ela não sabia exatamente identificar.

Raiva.

Confusão.

Talvez ambos.

— Você se casou com Leon Alighieri?

Verônica ficou em silêncio.

Isso já era resposta suficiente.

— Meu Deus… — murmurou ele.

— Daniel, eu posso explicar—

— Explicar o quê?

A voz dele subiu um pouco.

— Que você simplesmente decidiu se casar com o homem que pode estar por trás da destruição da sua família?

— Nós não sabemos disso.

— Eu sei.

Ela fechou os olhos por um momento.

— Daniel…

— Você cometeu um erro.

— Não foi uma escolha fácil.

— Então desfaça.

Ela abriu os olhos novamente.

— Não posso.

O silêncio do outro lado da linha foi pesado.

Quando Daniel voltou a falar, a voz dele estava mais baixa.

Mais fria.

— Esse homem não é quem você pensa.

— Você nem conhece ele.

— Conheço o tipo dele.

Verônica olhou de relance para Leon, que ainda estava perto do carro esperando.

— Daniel, isso não é da sua conta.

A frase saiu mais dura do que ela pretendia.

Outro silêncio.

— Eu estou tentando proteger você.

— Eu não preciso de proteção.

Daniel respirou fundo do outro lado da linha.

— Tudo bem.

Mas o tom dele não parecia nada bem.

— Faça o que quiser.

— Daniel—

— Só não diga depois que eu não avisei.

A ligação caiu.

Verônica ficou olhando para o telefone por alguns segundos.

Quando voltou para perto do carro, Leon a observou com curiosidade.

— Problemas?

Ela suspirou.

— Talvez.

— Quer falar sobre isso?

— Não.

Leon assentiu.

— Justo.

Ele abriu a porta do carro para ela.

— Vamos?

Ela entrou.

Enquanto o carro começava a se mover pela avenida, Verônica olhou novamente para o anel em seu dedo.

Ainda parecia surreal.

Mas em algum lugar da cidade…

Daniel Armand estava parado diante da janela de seu escritório.

A notícia do casamento aparecia em todos os portais.

Ele apertou os punhos.

— Leon Alighieri…

A raiva dentro dele parecia crescer a cada segundo.

Na mesa havia uma fotografia antiga.

Ele e Verônica.

De anos atrás.

Quando tudo era mais simples.

Daniel pegou a foto.

Observou por alguns segundos.

— Eu prometi que ninguém ia machucar você.

Ele colocou a fotografia de volta na mesa.

Os olhos agora estavam frios.

Determinados.

— Se esse homem acha que pode simplesmente aparecer e tirar você da minha vida…

Um pequeno sorriso surgiu.

Mas não havia humor nele.

— Então ele ainda não me conhece.

Porque Daniel não tinha intenção de desistir.

E se fosse preciso destruir Leon Alighieri para recuperar Verônica…

Então era exatamente isso que ele faria.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App