Capítulo 4.

>> Blaze Fox <<

A música estava alta. O cheiro de cigarro, álcool e perfume doce das garotas me entorpecia mais que qualquer porra de droga que já usei. Eu estava jogado no sofá de couro do Serpente Negra, com uma loira em meu colo e uma morena massageando meus ombros como se soubesse exatamente onde colocar os dedos.

Raven estava rindo alto com um charuto na boca, Jett já tinha sumido com sua garota pelos fundos, e Wolf brindava com outros irmãos do clube como se isso fosse uma comemoração de verdade, como se casar com uma inimiga fosse algo digno de celebração.

Mas eu… eu só queria esquecer.

O corpo da loira se esfregava em mim como se estivesse prestes a me implorar pra levá-la pro inferno. E eu até cogitei… mas aí, ela entrou. Cabelos loiros e longos, atravessou o salão como uma tempestade: salto alto, vestido couro justo, olhar de faca afiada. Cada passo dela ecoava no chão como sentença de morte. A loira no meu colo tentou continuar a provocação, mas parou no instante que sentiu o clima mudar.

— O que a Valentina está fazendo aqui, porra? — Ouvi Wolf murmurar e eu arregalei os olhos brevemente. Valentina… minha noiva. A porra da rainha dos Cuervos.

A música pareceu baixar sozinha. Os caras se calaram. As garotas pararam de dançar, como se instintivamente percebessem que alguma coisa estava prestes a explodir.

Valentina parou a poucos metros de mim, com um sorriso cínico nos lábios. Arrogante. Mandona. Perigosa. Uma maldita bomba-relógio vestida como uma deusa infernal. O couro preto abraçava o corpo dela, como se tivesse sido moldado direto em sua pele dourada, e mesmo entre a fumaça, as risadas e o cheiro azedo de álcool barato, ela era o único foco possível. Uma visão. Uma ameaça. E eu a reconheci… não só das corridas ilegais, mas da noite em que apostamos nossas roupas num racha e terminamos suados, bêbados e fodendo contra a parede de um galpão abandonado.

— Que bonito isso aqui… — ela disse com a voz doce como veneno. — Uma despedida de solteiro com putas e cerveja barata. O clube de vocês realmente não tem classe.

A provocação foi jogada com a precisão de uma adaga.

— Se veio dar show, volta amanhã… no casamento. — falei, me levantando devagar, com o copo de uísque ainda quente na mão. Mas por dentro, eu já sentia a pele formigar. A presença dela sempre me desestabilizou e ela sabia disso.

— Eu vim entregar um recado. — Valentina se aproximou até ficar a centímetros do meu rosto. O perfume dela me acertou como uma maldição: cheiro de perigo, pólvora e luxúria crua. — Se você tocar em qualquer uma dessas garotas, Blaze, qualquer uma… o presente de casamento que vou te dar será a cabeça delas… uma por uma. Em bandejas prateadas. Entendeu?

A sala parou. Até a música pareceu murchar. Raven soltou um “caralho” abafado. As garotas se encolheram, e uma delas chegou a deixar o copo escorregar da mão.

Meu sangue ferveu. Uma mistura de raiva insana e tesão violento corria sob a minha pele como faísca em gasolina. A vontade era de matá-la e fodê-la ao mesmo tempo.

— Quem você pensa que é para vir aqui e me ameaçar na minha casa? — rosnei, sentindo os músculos do maxilar latejarem. Dei um passo à frente. Ela nem recuou. Nem piscou.

— Sou a mulher com quem vai dividir sua cama, o clube… e agora também sua vida. — Ela disse com aquela calma assassina. — Acha que pode me humilhar assim? Vai ver o inferno, Blaze, se continuar achando que sou uma mulher comum.

Foi a gota. Meus dedos fecharam com força ao redor do braço dela. Ignorei os murmúrios e protestos ao redor. Arrastei-a até a sala privativa nos fundos do bar, cada passo batendo como um tambor de guerra.

Fechei a porta com um estrondo, jogando-a contra a parede. O som ecoou como uma sentença.

— Você tem ideia do que acabou de fazer?! — gritei, o peito arfando, o coração martelando. — Eu devia mandar você de volta num saco preto para os Cuervos!

Mas Valentina nem piscou. Seus olhos queimavam. Desprezo, fúria… e algo muito mais perigoso: desejo.

— Nós dois sabemos que, se você fizer isso, uma guerra ainda pior vai começar. — Ela cuspiu as palavras como veneno. — E, no fundo, você sabe… você precisa de mim tanto quanto me odeia. Eu sou a única que vai olhar na sua cara e não abaixar a cabeça, Fox.

A raiva se fundiu ao desejo como duas lâminas se cruzando em faísca. Agarrei a cintura dela com violência e puxei-a contra mim. Nossos corpos se chocaram, duros, tensos, famintos. O beijo foi brutal. Sem poesia. Cheio de dentes, língua e tudo que vinha entalado na garganta desde a maldita noite da aposta.

Ela gemeu. Não de dor… de provocação. Mordeu meu lábio com tanta força que senti o gosto metálico do sangue e desejei mais.

Minhas mãos apertaram sua bunda com raiva, puxando-a pra cima. As pernas dela se enroscaram no meu quadril como se tivessem feito aquilo mil vezes.

Ali, no calor daquela sala abafada, no meio da fumaça de cigarros e ódio, um novo tipo de guerra começou.

E eu não estava disposto a perder.

As mãos dela estavam nos meus cabelos, puxando com raiva e desejo, arranhando minha nuca como se quisesse me marcar com suas garras. Cada arranhão ardia como se queimasse direto no meu sangue. Eu a prensei contra a parede com força, com fúria, com fome. O corpo dela era puro pecado: quente, provocante, impiedoso. Beijei o pescoço dela com brutalidade, sentindo o gosto da pele, o cheiro agridoce me tirou o juízo. Ela suspirou. Depois gemeu baixo. Aquilo me desmontava por dentro.

— Você não vai me dar ordens, mulher… — rosnei contra sua pele úmida, minha respiração quente batendo em sua clavícula.

— Nem você, idiota arrogante. — ela respondeu, ofegante, os olhos queimando os meus. Cada palavra era um tapa, um convite e uma ameaça.

Me afastei apenas o suficiente para encará-la e colocá-la no chão. Nossos peitos subiam e desciam num mesmo compasso: raiva, luxúria e orgulho ferido. Uma guerra não declarada pulsava entre nós.

— Se não entrarmos em um acordo, isso não vai dar certo. — murmurei, tentando manter algum controle. Mas ela me bagunçava. Sempre me bagunçou, quando me vencia nas corridas e eu odeio perder, ainda mais para uma mulher.

— Não serei sua submissa, Fox. — ela disparou, sem hesitar. — Eu quero respeito… poder… e paz. E se pra isso eu tiver que aguentar você, que seja. Mas se me trair, me desrespeitar, ou tentar me calar... cabeças vão rolar. E eu juro por tudo o que perdi, que a primeira vai ser a sua.

Fiquei imóvel por um segundo. O orgulho gritando, a testosterona rugindo. E mesmo assim, o coração martelava, não sei se de raiva, de adrenalina ou da porra do tesão de estar há dois anos sem uma mulher. Mas uma coisa eu sabia: eu não seria o cachorrinho dessa mulher. Nunca.

— Amanhã, você vai ser minha. — falei entre dentes, com um meio sorriso que escondia mil intenções. — E quando for… vai entender que serpentes não se domam… ou você se curva a elas, ou morre picada.

Ela ergueu o queixo, desafiadora. Os olhos faiscando com tudo o que ela era: orgulho, dor, desejo, ferocidade.

— Isso é um desafio, Blake? Cuidado hein… a última vez que você me desafiou, você perdeu.

Sorri lembrando. Maldita. Aquela corrida, aquela aposta, aquela noite. Ela foi a primeira mulher que toquei depois da Lucy… e foi como se o mundo parasse e explodisse ao mesmo tempo.

— Eu não diria que perdi aquela corrida, minha noiva… — murmurei rouco, a mão descendo devagar até seu quadril, seguindo a curva da sua coxa, com a fome crescendo. Meu olhar queimava no dela. Eu queria rasgar aquele vestido e fode-la ali mesmo. Valentina segurou minha mão, me desafiando e a levou entre suas pernas.

Sem calcinha.O rosnado que escapou de mim não foi humano.  Meus dedos mergulharam na sua intimidade e eu quase perdi o equilíbrio. Quente. Molhada. Meu deus. Ela já estava pronta pra mim.

 Ela gemeu alto, a cabeça batendo contra a parede, o quadril se movimentando contra meus dedos como se me implorasse mais, mais fundo, mais rápido.

Minha mão livre subiu, agarrou seu seio com força, arrancando outro gemido — um mais rouco, mais necessitado.  Minha boca se colou à dela de novo, faminta, violenta, insaciável. E ali, entre gemidos, ela se entregou ao ápice, tremendo, gemendo meu nome como se fosse uma maldição sagrada.

— Ah… Fox… — ela chorou contra minha boca, e porra… quase gozei só ouvindo aquilo.

Retirei os dedos devagar e levei à boca. Provei.  O sabor me invadiu com uma onda de memórias. Exatamente como eu lembrava. Tentei beijá-la de novo, afundar em seu gosto, fodê-la até o fim. Mas Valentina se afastou com aquele sorriso de lado, maldito, impiedoso.

— Já teve sua despedida de solteiro, meu noivo… — disse, com frieza cortante. — Nos vemos amanhã, Fox.

E então… ela se foi. A porta bateu e eu fiquei ali com o cheiro dela nas mãos, o gosto nos lábios e o inferno aceso dentro de mim. Furioso. Excitado. Cheio de tesão. Sem poder tocar em mais ninguém.

Essa mulher vai ser minha perdição, ou minha ruína… talvez os dois.

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