Mundo de ficçãoIniciar sessãoA manhã seguinte chegou mais rápido do que eu gostaria.
Quando acordei, por alguns segundos não lembrei onde estava. O quarto era grande demais, silencioso demais, elegante demais para ser familiar. Então tudo voltou à minha mente. O hotel. A traição. O acordo com Adrian Montenegro. Soltei um suspiro longo e sentei na cama. — Isso realmente está acontecendo… — murmurei. Depois de um banho rápido, desci as escadas da mansão. O cheiro de café fresco já preenchia o ambiente. Carlos estava na sala de jantar organizando a mesa. — Bom dia, senhorita Lívia — disse ele educadamente. — Bom dia. Eu me sentei, ainda tentando me acostumar com aquele lugar. — O senhor Montenegro já está acordado? — Ele está no escritório. Pediu para avisar que gostaria de falar com a senhorita depois do café. Meu estômago apertou levemente. Aquilo parecia cada vez mais real. Alguns minutos depois Adrian apareceu. Impecável como sempre. Terno escuro, postura calma e aquele olhar que parecia enxergar tudo. — Dormiu bem? — perguntou ele. — Melhor do que eu esperava. Ele sentou à minha frente. — Precisamos conversar sobre hoje. — Hoje? — Minha família quer conhecer você. Quase engasguei com o café. — Já? — Quanto antes melhor. — Isso parece uma péssima ideia. Adrian apenas levantou uma sobrancelha. — Vai ficar tudo bem. — Você tem muita confiança nisso. — Eu tenho controle da situação. — Famílias ricas em histórias nunca são simples. Ele não respondeu imediatamente. — Você está certa — disse por fim. Ficamos em silêncio por alguns segundos. — Existe mais alguma coisa que eu deveria saber? — perguntei. Ele me observou com atenção. — Apenas uma. — Qual? — Minha família faz muitas perguntas. Suspirei. — Ótimo. Ele levantou da cadeira. — Então é melhor você estar preparada. Eu não fazia ideia de quanto aquela reunião mudaria tudo. Continuação do Capítulo 6 Depois do café, Adrian me levou até o escritório dele. O cômodo era enorme, com uma parede inteira de vidro que dava vista para o jardim. Livros organizados em estantes altas ocupavam uma das paredes, e no centro havia uma mesa de madeira escura perfeitamente limpa. — Você realmente trabalha aqui? — perguntei. — Às vezes. — Só às vezes? Ele tirou o paletó e colocou sobre a cadeira. — Eu tenho escritórios na empresa também. Mas gosto de resolver algumas coisas daqui. Eu caminhei lentamente pelo espaço, observando tudo. Havia algumas fotos emolduradas sobre um aparador. — Essa é sua família? — perguntei. Adrian se aproximou. — Sim. Na foto estavam quatro pessoas: um homem mais velho, uma mulher elegante, Adrian mais jovem… e outro rapaz que eu não reconhecia. — Quem é ele? — perguntei. Adrian ficou em silêncio por um segundo. — Meu irmão. — Vocês parecem próximos. Ele desviou o olhar. — Parecíamos. Algo no tom de voz dele me fez perceber que aquela não era uma história simples. — O que aconteceu? — perguntei. — Algumas coisas são melhores no passado. Eu respeitei o silêncio dele. — Sua família vai me odiar, não vai? — falei depois de alguns segundos. Adrian apoiou as mãos na mesa. — Provavelmente vão tentar descobrir tudo sobre você. — Isso não é exatamente reconfortante. — Mas eles não vão encontrar nada. — Porque minha vida é entediante. — Porque você não faz parte do mundo deles. Ele me encarou com atenção. — E isso pode ser uma vantagem. — Ou um problema. — Depende de como você encara. Eu suspirei. — Ainda não acredito que aceitei isso. Adrian deu um pequeno sorriso. — Eu acredito. — Por quê? — Porque você não é o tipo de pessoa que foge quando a vida fica difícil. Fiquei em silêncio. Talvez ele estivesse certo. Talvez eu estivesse apenas cansada de perder. — Tem mais alguma coisa que eu preciso saber antes de conhecer sua família? — perguntei. Adrian pensou por alguns segundos. — Apenas uma coisa. — O quê? Ele caminhou até a janela, olhando para o jardim. — No mundo deles, confiança é algo raro. — E no seu? Ele virou o rosto para mim. Os olhos dele estavam mais sérios do que antes. — No meu mundo… confiança pode ser perigosa. Um arrepio percorreu minha espinha. Porque, naquele momento, eu tive a sensação de que aquele casamento falso estava me colocando em um jogo muito maior do que eu imaginava.






