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Capítulo 3 — O Acordo Que Eu Nunca Deveria Ter Aceitado

O nome dele ficou ecoando na minha cabeça.

Adrian Montenegro.

Eu não fazia ideia de quem ele era, mas havia algo naquele homem que fazia tudo ao redor parecer diferente… mais pesado, mais intenso.

Ele abriu a porta do carro novamente e fez um pequeno gesto com a cabeça.

— Entre.

Eu hesitei.

Talvez porque minha mãe sempre dizia para não confiar em estranhos.

Ou talvez porque, naquela noite, eu já tinha confiado nas pessoas erradas demais.

— Eu não conheço você — falei.

Ele apoiou o braço na porta do carro, completamente tranquilo.

— Tecnicamente, você acabou de conhecer.

Eu estreitei os olhos.

— Isso não ajuda.

Um leve sorriso apareceu no rosto dele.

— Justo.

A chuva continuava caindo forte, escorrendo pelo meu cabelo e pelo meu rosto.

Eu estava completamente encharcada.

Exausta.

E emocionalmente destruída.

Adrian olhou para mim por alguns segundos, como se estivesse avaliando alguma coisa.

— Você tem duas opções agora — disse ele calmamente.

— Quais?

— A primeira é continuar parada aqui na chuva, tremendo e claramente sem saber para onde ir.

Ele fez uma pausa.

— A segunda é entrar no carro, aceitar uma carona e pelo menos se aquecer um pouco.

Eu suspirei.

Ele tinha razão.

Eu não tinha para onde ir naquele momento.

Minha casa… bem, tecnicamente ainda era minha casa, mas a ideia de voltar para lá e encontrar meu marido — ou pior, minha irmã — me deixava com náusea.

— Só uma carona — falei.

Ele abriu mais a porta.

— Só uma carona.

Entrei no carro.

O interior era quente e silencioso. O cheiro suave de couro misturado com um perfume masculino discreto preenchia o ambiente.

Era claramente um carro caro.

Muito caro.

Adrian entrou no banco do motorista e ligou o carro.

Por alguns segundos, nenhum de nós falou nada.

Apenas o som da chuva batendo no vidro.

— Para onde? — ele perguntou.

Boa pergunta.

Eu fiquei olhando pela janela por alguns segundos antes de responder.

— Dirija.

Ele virou o rosto lentamente para mim.

— Dirigir para onde?

— Qualquer lugar que não seja aquele hotel.

Ele pareceu pensar por um momento.

Então assentiu.

O carro começou a se mover pela rua iluminada.

Eu apoiei a cabeça no encosto do banco e fechei os olhos por um instante.

Mas, inevitavelmente, a cena voltou à minha mente.

Meu marido.

Minha irmã.

Na mesma cama.

Senti meu estômago se contrair novamente.

— Você ainda está pensando nisso — Adrian disse de repente.

Abri os olhos.

— Como você sabe?

— Porque seu rosto muda toda vez que você lembra.

Cruzei os braços.

— Você sempre analisa estranhos dentro do seu carro?

— Só os interessantes.

Olhei para ele.

— E eu sou interessante?

Ele não respondeu imediatamente.

Seus olhos permaneceram na estrada.

— Você entrou no meio da rua sem olhar para os lados, parecia completamente destruída e mesmo assim não derramou uma lágrima.

Ele finalmente virou o rosto para mim.

— Isso é interessante.

Eu soltei uma pequena risada sem humor.

— Eu já chorei o suficiente por hoje.

— Duvido.

— Por quê?

— Porque você ainda está tentando ser forte.

Eu fiquei em silêncio.

Talvez porque ele estivesse certo.

Talvez porque eu estivesse cansada demais para discutir.

O carro virou em uma avenida mais tranquila.

— Você descobriu algo importante hoje? — ele comentou.

Meu corpo inteiro ficou tenso.

Eu respirei fundo, olhando para frente.

— Eu descobri que estou grávida.

As palavras saíram baixas.

Controladas.

Como se não fossem reais.

— E, no mesmo dia… descobri que meu marido me trai com a minha irmã.

O silêncio que veio depois foi pesado.

— Então, sim — completei — foi um dia… interessante.

Ele deu um pequeno sorriso.

Respirei fundo.

— Você presta muita atenção.

— Faz parte do meu trabalho.

— E qual é exatamente o seu trabalho?

Ele ficou em silêncio por um momento.

— Eu tomo decisões.

— Isso não explica muita coisa.

— Eu comando uma empresa.

— Uma empresa de quê?

Ele olhou para mim com um leve brilho divertido nos olhos.

— Muitas coisas.

Eu balancei a cabeça.

— Você é misterioso demais.

— Não. Apenas cuidadoso.

O carro diminuiu a velocidade quando chegamos a um semáforo.

— Seu marido sabe da gravidez? — ele perguntou.

— Não.

— Pretende contar?

Eu fiquei olhando para frente.

— Não sei.

O sinal ficou verde e ele voltou a dirigir.

— Ele não merece saber — murmurei finalmente.

Adrian não respondeu.

Mas eu tive a sensação de que ele estava analisando cada palavra que eu dizia.

— Você tem para onde ir? — ele perguntou depois de alguns minutos.

Essa pergunta me atingiu mais forte do que eu esperava.

Porque a resposta era simples.

Não.

Eu não tinha.

Minha casa não parecia mais minha.

Minha família claramente não era confiável.

E meus amigos… bem, explicar aquela situação inteira parecia impossível naquele momento.

— Posso pagar um hotel — falei.

Adrian soltou um pequeno suspiro.

— Você não precisa pagar.

— Eu não aceito favores de estranhos.

Ele virou o carro para uma rua tranquila.

— Então considere um acordo.

Franzi a testa.

— Que tipo de acordo?

Ele estacionou o carro.

E então finalmente se virou completamente para mim.

Os olhos escuros dele pareciam mais intensos de perto.

— Eu preciso de uma esposa.

Eu pisquei.

Uma vez.

Duas.

— Desculpa… o quê?

— Uma esposa — ele repetiu calmamente.

— Você está brincando.

— Não.

— Nós nos conhecemos há… — olhei para o relógio no painel — talvez vinte minutos.

— Vinte e sete.

— Isso é completamente absurdo.

Ele apoiou o braço no volante.

— Casamentos por conveniência não são tão raros quanto você imagina.

— Eu não sou esse tipo de pessoa.

— Talvez não.

Ele fez uma pequena pausa.

— Mas você precisa de ajuda.

Eu senti um arrepio percorrer minha espinha.

— E o que você ganha com isso?

Os olhos dele ficaram um pouco mais escuros.

— Muitas coisas.

— Como o quê?

Ele inclinou a cabeça levemente.

— Minha família está me pressionando para casar.

— Então escolha alguém que você ame.

— Amor não faz parte dos meus planos.

Eu ri.

— Isso explica muita coisa.

Ele não pareceu ofendido.

— Você precisa de estabilidade.

— Eu posso conseguir isso sozinha.

— Talvez.

Ele me observou por alguns segundos.

— Mas não hoje.

E pela primeira vez naquela noite…

Eu não tive uma resposta imediata.

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