Mundo de ficçãoIniciar sessãoO tempo foi passando na minha casa e a rotina de cuidar de duas crianças pequenas começou a exigir muito da minha mente. Com a minha princesinha crescendo e o meu príncipe ao meu lado, eu sentia uma necessidade profunda de respirar novos ares e aliviar um pouco o peso de tantas responsabilidades acumuladas. Aos poucos, fui conhecendo novas pessoas e, no meio dessas novas interações, o cigarro e a bebida entraram na minha vida como as primeiras válvulas de escape, uma tentativa tímida de anestesiar as preocupações diárias de uma mãe solo na comunidade. Quando a minha filha completou exatamente seis meses de vida, decidi que era hora de fazer uma pausa mais longa e fui passear na casa de minha mãe buscando o refúgio e o aconchego. Eu precisava daquele colo familiar para recarregar as minhas forças. Durante a minha estadia na cidade, descobri que estava acontecendo uma grande festa local. Animada com a possibilidade de me distrair, resolvi ir ao evento acompanhada por uma conhecida, uma vizinha da minha mãe que tinha a mesma idade que eu e compartilhava da mesma energia jovem. Nos arrumamos e saímos à noite, levei os meus maiores tesouros comigo, meu príncipe caminhando firme ao meu lado e a minha princesinha deitadinha, protegida dentro do carrinho de bebê. O ambiente estava cheio, tomado por música e luzes, mas o que parecia ser apenas uma noite de diversão comum logo se transformou em um cenário desenhado pelas mãos misteriosas do destino. No meio da multidão, meus olhos cruzaram com os de um primo do Alexandre, o pai da minha filha. Aquele encontro inesperado fez o meu coração dar um salto no peito. O primo dele se aproximou e sem rodeios, soltou a informação que eu menos esperava ouvir naquela noite: ele me disse que o Alexandre também estava ali, curtindo aquela mesma festa. Naquele instante, um turbilhão de memórias e sentimentos que eu acreditava estarem guardados voltou à tona com força total. Olhei para a minha amiga e a minha mente imediatamente resgatou os velhos hábitos dele. Lembrei-me perfeitamente de que, no tempo em que vivíamos juntos, o Alexandre odiava os cantos; ele gostava mesmo era de ficar bem no meio do povo, onde a agitação era maior. Com essa certeza na mente e sentindo uma mistura de curiosidade dolorosa com o instinto de autopreservação, tracei um plano rápido. Olhei para a vizinha da minha mãe e disse: "Vamos dar uma olhada de longe, caminhando bem pelo canto, só para a gente ver um pouco do movimento e depois ir embora. Eu não queria um confronto, não queria uma cena e, acima de tudo, precisava manter a calma. Mas parece que quando tem que acontecer, vira obra do destino. Nós mudamos de direção e começamos a descer em direção ao banheiro da festa. Eu caminhava firme, segurando com força a mão do meu filho ao meu lado, enquanto a minha amiga vinha logo atrás de mim, empurrando o carrinho onde minha princesinha dormia alheia a tudo. Foi exatamente nesse trajeto, sem nenhum aviso ou tempo para desviar, que eu dei de cara com o pai da minha filha. No instante em que vi o Alexandre parado bem ali na minha frente, o meu coração disparou de uma forma violenta contra o peito. O espaço encolheu, o barulho da música pareceu sumir em um segundo e o ar me faltou. Eu simplesmente não imaginava que ia ter esse reencontro de maneira tão brusca e direta. ele também me viu. Fixou os olhos em mim e, quebrando o silêncio congelante que se instalou entre nós, ele me deu um sinal claro com as mãos, demonstrando que queria falar comigo. Eu fiquei paralisada por um instante, sentindo o peso de toda a nossa história dolorosa passar diante dos meus olhos. Virei-me para a vizinha da minha mãe e mostrei quem era o homem à nossa frente. Por um breve momento, a minha amiga também ficou paralisada com o choque. Preocupada, ela perguntou se eu queria voltar. Respondi que iria ver o que ele queria e pedi para ela aguardar ali com os meus filhos. Fui até ele com as pernas trêmulas. Quando me aproximei, Alexandre olhou para mim e perguntou se a filha dele estava lá na festa. ele me encarou nos olhos e disse que queria muito conhecê-la, mas percebeu que o barulho e o empurra-empurra da multidão não eram o lugar certo para aquilo. Ele me chamou para irmos a um lugar mais calmo pra conversar direito. Falei para ele que iria avisar a minha amiga. Voltei até onde eles estavam e expliquei a situação. Minha amiga compreendeu perfeitamente o momento, me entregou a barra do carrinho e disse que ia dar mais uma volta pela festa e depois iria embora. Nós nos despedimos com carinho. Agora, assumindo o controle do carrinho e segurando a mão do meu filho caminhei de volta até o Alexandre. Saímos juntos daquele espaço barulhento, passamos pelo local onde estava o carro dele e seguimos a pé em direção a uma lanchonete nas proximidades. Sentados em uma mesa afastada, sob a luz clara daquele ambiente calmo, o passado e o presente estavam frente a frente, prontos para o acerto de contas.







