}}}}O ODIO DE OFÉLIA

Ofélia permaneceu imóvel. O som distante de um relógio marcava o tempo — um tic-tac lento e cruel, como se zombasse do silêncio que se instalara na sala.

Àquela altura, o tempo parecia se arrastar, como um velho cansado, apreciando cada segundo da agonia de uma alma despedaçada.

As palavras dele ainda reverberavam dentro de sua mente, cada uma delas como uma pedra lançada em um lago profundo, provocando ondas que não cessavam.

O coração de Ofélia batia descompassado, um tambor de desespero que ressoava em sua caixa torácica. Era como se houvesse um mar dentro dela — um mar turvo, pesado, onde correntes de raiva e humilhação se chocavam, agitando-se em um turbilhão incontrolável.

A vergonha vinha em ondas quentes que subiam pelo peito até o rosto, queimando-lhe as bochechas como se o próprio sol a castigasse.

A raiva, fria e aguda, escorria por dentro como gelo, quebrando seu ser com uma ferocidade que a deixava tremendo.

Ela ape
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