CAP. 2 - Psicopata Sequestrando a Virgem

POV/ Alessia

Poeira, fumaça cinza e estilhaços de carvalho voavam por toda parte, misturando-se aos gritos histéricos que transformavam a casa de Deus em um abatedouro. Minha mãe gritava meu nome em algum lugar à esquerda, mas a cortina de pó era um muro intransponível.

Tentei me levantar, mas minhas pernas tremiam tanto que quase cedi sob o peso sufocante de quilos de seda e renda inúteis. Eu era uma mulher de um metro e sessenta e sete, com braços curtos e o corpo pesado pela imobilidade do espartilho; embora treinada, eu estava encurralada em uma armadura de vaidade que tornava qualquer movimento uma luta contra a própria gravidade. O coração batia na garganta, um tambor frenético de pânico puro.

A luz do dia invadiu o templo pelas portas arrancadas, e uma silhueta alta, de ombros largos e uma postura de naturalidade assustadora, entrou carregando um fuzil como se fosse uma extensão de seu próprio corpo.

Ele usava a máscara de Michael Myers.

A face de plástico pálida, com aquele sorriso morto, cobria todo o rosto, deixando apenas o vazio sombrio dos espaços para os olhos. Ele parou no epicentro do caos e girou a cabeça na minha direção com um movimento mecânico. Mesmo através do plástico, eu senti: ele estava me devorando com o olhar. Era o olhar de um colecionador avaliando uma peça que ele pretendia quebrar.

O pânico paralisou meus centros nervosos. Dei um passo trôpego, tropeçando no próprio véu que se enroscava nos meus pés como uma armadilha. Marcellos estava estático ao meu lado, pálido, seus dedos inúteis apertando o cabo da arma na cintura enquanto o terror drenava sua coragem.

Outros homens invadiram logo atrás, usando máscaras de Halloween distorcidas. Um deles trazia uma katana longa; o aço brilhava com um tom rubro enquanto o sangue fresco de algum segurança pingava sobre o tapete vermelho. Marcellos finalmente reagiu, me agarrando pelo braço com uma força bruta, me puxando para trás dele como se eu fosse um escudo de carne.

— Fique atrás de mim, Alessia! — ele berrou, mas sua voz falhou.

Vi meu pai, Leopoldo ele agarrou minha mãe pelo pescoço, forçando a se abaixar atrás do banco e ouvi ele gritar:

— Leve Alessia daqui! Eles vieram buscá-la! — ele rosnou e empunhou a arma, enquanto Lucca, meu irmão, atirava freneticamente como uma criança apavorada.

Arrastei minha mãe em direção à sacristia. O tule do vestido era uma prisão. Rosnei e usei toda a minha força para rasgar a renda lateral do vestido até a coxa, expondo o metal frio da pistola no meu coldre oculto. O rasgo foi o som da minha liberdade momentânea.

Passamos pela porta e o pátio era um cenário de guerra. Mas o caminho foi barrado. Um homem alto, de máscara de palhaço, surgiu do nada. Minha mãe tentou se interpor, mas ele a empurrou como se ela fosse um trapo velho. Ela atingiu o chão com um baque seco que fez meu sangue ferver.

— Não toca nela, seu desgraçado! — O grito saiu da minha garganta como um rosnado.

Desferi um chute violento na canela dele. Enquanto ele vacilava, saquei. Não mirei; usei o peso da arma para golpear o queixo daquela máscara. O impacto foi seco. Ele cambaleou, mas ficou ali, com seus quase dois metros, me observando com um desprezo silencioso. Meus braços eram curtos demais para manter uma distância segura; eu precisava me expor para atingi-lo.

Eu ia atirar, mas um calafrio gélido percorreu minha nuca. Uma presença. Uma sombra maior que o próprio sol.

— Nossa... — A voz veio abafada pela máscara de Michael Myers, arrastada em uma diversão psicopata. — Por essa eu realmente não esperava. A princesinha morde.

Girei com tudo, tentando golpear a têmpora dele com a coronha da pistola, mas ele se moveu como um raio. Em um segundo, ele bloqueou meu braço com uma facilidade humilhante e me prensou contra a parede de pedra.

O impacto expulsou o ar dos meus pulmões. Meus braços curtos tentaram empurrá-lo, mas eram inúteis contra a envergadura dele. Minha cabeça latejou e a máscara de Michael Myers foi a última coisa que foquei. Tentei chutar, morder, mas ele me imobilizou usando o próprio peso esmagador. Ele era puro músculo e gelo, tornando todo o meu treinamento uma piada patética diante daquela disparidade física.

Ele apertou meu pulso com tanta pressão que meus ossos protestaram; fui obrigada a soltar a arma. O metal caiu no chão com um som final.

Com uma brutalidade desnecessária, ele virou meu pescoço para o lado, esmagando meu rosto contra a pedra áspera. Senti uma picada aguda e fria na lateral da minha garganta.

— Durma, principessa — ele sussurrou no meu ouvido. O hálito quente contra minha orelha contrastava com o tom letal. — O seu verdadeiro dono veio te buscar.

Meus joelhos cederam. O peso do meu corpo, que eu tanto tentava sustentar com dignidade, tornou-se fardo demais. Mas ele não me deixou cair. Ele me envolveu com braços fortes, me segurando como um prêmio, suspendendo-me contra seu peito largo.

A última coisa que vi foram os sapatos de couro dele. Manchados com o sangue fresco dos convidados do meu casamento que deveriam estar celebrando o início da minha vida, mas que agora marcavam o começo do meu inferno.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App