Mundo ficciónIniciar sesiónPOV de Marina Vasques
Ela tocou no meu ponto fraco, o meu avô, ela sabe que eu faço tudo por ele, que apenas o quero ver feliz, vivo. E ela consegue fazer com que a dúvida de que isso acabasse de vez com a vida do meu avô. E ela percebe isso.
- Bem me parecia que não vais dizer nada – diz-me Rebeca confiante e comum sorriso nos lábios pois ela sabia que mais uma vez tinha ganho.
Eu recuo, ela avança. Eu perdi e ela ganhou, mais uma vez ela consegue o que quer.
Eu saí do quarto a segurar as lágrimas, e, entro na primeira porta que vejo, mesmo ao lado da porta do quarto do meu avô.
Era um corredor, que não parecia ter fim. Assim que encontro outra porta, eu entro, e fecho-a com força. Ali eu desmorono. Eu falhei com a pessoa que eu mais amo e com a única que eu não podia falhar, o meu avô.
Deixo as lágrimas caírem sem controlo pelo meu rosto.
O meu peito doía, como se mo tivessem rasgado.
A imagem da minha irmã com o meu noivo estava presente na minha memória, tudo o que eu vivi com Diogo estava presente. Era só mentias, cada beijo, cada promessa, cada sorriso, foi tudo uma farsa, uma mentira.
- Eu fui tão idiota – sussurro para mim mesma.
Eu levo as minhas mãos ao meu rosto para abafar os meus soluços que estavam descontrolados, eu não consegui, pelo menos agora eu não estava a conseguir. Eu tremia, não de medo, mas, de raiva.
Os minutos passam e a porta abre-se. Um homem alto, musculado, com o cabelo desalinhado entra. Eu percebo que ele tem a roupa suja, a camisa aberta, suja, o corpo suado e a respiração dele era pesada, como se viesse a correr.
Ele fecha a porta rapidamente e olha para a sala onde estávamos, avaliava, procurava algo.
Assim que os olhos dele encontram os meus, eu vejo que ele tem os olhos escuros, intensos, perigosos e ele vem até mim.
- Não ouse gritar – diz ele tapando a minha boca com a mão dele – Preciso que fique em silêncio – diz ele a olhar para mim, mas sempre a olhar para a única porta da sala.
Os olhos dele estavam alerta, perigosos, focados na porta. Eram ouvidos passos do lado de fora. As portas abriam e fechavam. Alguém andava à procura de algo ou de alguém.
Eu fiquei imóvel, o coração disparava, o meu corpo rígido contra o dele. O cheiro a suor e a rua misturava-se com algo estranho, algo intenso. Ele não me largava. Os passos aproximaram-se da sala onde estávamos. E estavam cada vez mais perto de nós. E então, num impulso, ele inclinou-se e beijou-me.
O choque percorreu-me o corpo inteiro. Mas ele não parou. Aproximou ainda mais os nossos corpos, encostando-me à parede, simulando intimidade suficiente para quem estivesse do outro lado da porta acreditar que estávamos num momento sexual. As vozes e os passos pararam por um segundo. Tudo ficou em silêncio
- Não é aqui – diz um dos homens que entrava na sala
Aos poucos deixamos de ouvir barulho fora da sala e ele larga-me.
- Está louco? – pergunto indignada, furiosa com a ousadia dele
Ele levanta as mãos em sinal de rendição.
- Desculpe, mas eu tinha de os enganar – diz-me ele, mas a raiva dentro de mim e eu dou um tapa no rosto dele e ele vira o rosto com o impacto da minha mão no rosto dele, e esse som do impacto seco foi o único barulho que se ouviu dentro da sala durante segundos
- Não me volte a tocar – digo-lhe e ele olha para mim e com a forma fria como eu falei para ele
Ele assente com a cabeça e fica a olhar para mim
- Não tive escolha – diz-me ele – E se eles te tivessem apanhado aqui sozinha tu também não terias escolha – diz-me ele com seriedade e eu sinto que ele dizia aquilo com sinceridade
- Eu é que não tive escolha e tu invadiste o meu espaço e a minha privacidade – digo-lhe indignada com o que ele me tinha feito – E eu já tenho problemas que cheguem na minha vida que cheguem, não preciso de mais nenhum e muito menos ser perseguida – digo-lhe ao relembrar-me do motivo de ali estar escondida e que esse era um enorme problema e eu não precisava de mais nenhum.
Por alguns instantes, ficamos apenas a encara-nos, e a tensão entre nós é densa, é estranha.
Ele observa-me com mais atenção como que fosse só agora que ele me via. E, apesar dos olhos vermelhos e o orgulho ferido eu mantenho a minha postura firme.
- Estavas a chorar? – pergunta-me ele num tom mais baixo e percebendo a vermelhidão e o inchaço dos meus olhos
- Isso não te diz respeito – digo-lhe de forma firme, mas era evidente que eu tinha estado a chorar
- Talvez não – responde-me sem nunca desviar o olhar do meu
- E tu, quem és e porque fugias? – pergunto-lhe curiosa
- Não sou ninguém importante, e o motivo pelo qual eles me procuram apenas me diz respeito a mim – responde-me ele com uma postura diferente e com uma ligeira ironia na voz e sorri para mim – Apenas por necessidade me tive de esconder – diz-me ele mantendo um pequeno sorriso
Ele finalmente desvia o olhar do meu, foram poucos segundos, mas os suficientes para eu me recompor, para eu mudar e parte de mim voltar. E quando ele me volta a encarar o meu olhar não era só dor, eu começava a ter um olhar frio, decidido e com sede de vingança e pela primeira vez eu estava decidida a vingar-me de Rebeca, depois de tantos anos a ficar indiferente ao que ela me fazia e a sofrer calada com as patifarias dela e os joguinhos que ela sempre fez comigo.
- Queres mesmo fugir desses homens? – pergunto-lhe com a ideia mais descabida a surgir na minha cabeça, mas que naquele momento era a única coisa que me ocorria
Ele franziu ligeiramente o sobrolho, ele estava a pensar, o que era bom.
- Claro que sim – responde-me ele a olhar para mim pensativo e curioso.
Eu respiro fundo ao pensar no que eu tinha em mente, algo improvisado, arriscado e uma enorme loucura, algo que ninguém esperaria de mim que tinha sempre um plano pensado e ponderado para tudo.
- Eu posso ajudar – digo-lhe e enquanto eu procurava mentalmente a forma correta para dizer o que eu tinha na minha cabeça
- E como pensas que me vais ajudar? – pergunta-me ele claramente curioso com o que eu tinha em mente
- Casa comigo – digo-lhe sem hesitar, mas hesitando







