MAYA
A dor não veio como uma onda que cresce aos poucos. Ela veio como uma explosão, uma fisgada cortante e impiedosa que pareceu travar os músculos do meu abdômen e se espalhar pelas minhas costas em questão de milésimos de segundo. O ar escapou dos meus pulmões num sopro audível, e o mundo ao meu redor perdeu o foco. A calçada, as luzes da sorveteria, o reflexo do sol no vidro... tudo se tornou um borrão cinzento.
— Maya! — O grito de Arthur ecoou longe, como se ele estivesse clamando por mim