POV: Artemísia
O amanhecer chegou como um castigo.
Eu não dormi.
Não fechei os olhos uma única vez.
A cama parecia feita de espinhos.
O travesseiro, um campo de dúvidas.
E o silêncio...
O silêncio gritava.
Levantei antes que o sol tocasse o chão.
Vesti qualquer coisa, uma blusa leve, calça escura, e saí do quarto.
Não queria ficar ali.
Não queria ficar em lugar nenhum.
Os corredores da Residência Alfa estavam quase vazios.
Alguns criados ômegas já começavam a arrumar os vasos, recolher taças esquecidas, alinhar almofadas.
Mas a maioria dos hóspedes ainda dormia.
Ou descansava.
Ou sonhava.
Eu perambulava sem rumo.
Como quem procura uma resposta nas paredes.
Foi na sala de estar que a vi.
Uma mulher que eu nunca tinha visto antes.
Cabelos loiros ondulados, olhos azuis como céu limpo.
Ela transparecia doçura.
Como se tivesse sido feita de primavera.
Quando me viu, sorriu.
Deslumbrante.
— Que surpresa ver mais alguém acordada tão cedo! — d