O corredor do hospital cheirava a desinfetante e café requentado.
Francine já tinha perdido a noção das horas.
A última vez que olhou o relógio, eram quatro e pouco da manhã.
Agora, o sol se infiltrava pelas janelas, mas ela ainda estava com a mesma roupa, o mesmo corte de cabelo torto e os olhos fundos de quem não piscava desde a noite anterior.
Quando o médico apareceu no corredor, ela quase pulou da cadeira.
— Doutor! Ele vai ficar bem, não vai? — perguntou, com a voz trêmula.
O médico ajeitou os óculos no rosto, adotando aquele tom calmo que mais parece ensaiado.
— O senhor Villeneuve teve muita sorte. O impacto da explosão causou apenas ferimentos superficiais e uma leve concussão. Nada grave. O que preocupava era o trauma auditivo pela onda de choque, mas os exames iniciais mostram que ele vai se recuperar totalmente.
Francine suspirou, sentindo o corpo finalmente relaxar.
— Então ele vai acordar logo?
— É o que esperamos. Ele precisa apenas de repouso. — O m