O silêncio não era vazio.
Camila percebeu isso assim que abriu os olhos. Não havia barulho de carros, nem vozes, nem o vento habitual batendo nas árvores ao redor da casa. Era um silêncio atento, como se algo estivesse observando, esperando o momento certo de avançar.
O bebê dormia em seu colo, pequeno demais para carregar o peso do mundo que o cercava. Camila passou a mão devagar pelas costas dele, sentindo o calor da vida, tentando se ancorar naquele instante. Ainda assim, seu corpo permanecia tenso, como se o perigo estivesse à espreita do lado de fora — ou pior, já tivesse entrado.
Ricardo estava de pé perto da janela, imóvel. Não parecia cansado, mas em alerta. Os olhos percorriam o jardim pela terceira vez em menos de cinco minutos.
— Você não dormiu — Camila disse, quebrando o silêncio.
— Nem você — ele respondeu, sem tirar os olhos do vidro.
Ela respirou fundo. — Está sentindo também, não está?
Ricardo assentiu devagar. — Ela não atacou. Ainda. Isso é o ataque.
Camila sentiu u