Capítulo 04 - Uma perseguidora

Philip Caldwell – Narrando.

O dia seguinte chegou.

Eu estava de pé antes mesmo do despertador tocar, disposto a fazer o meu dia render.

Minhas mãos estavam presas ao volante do carro, enquanto eu dirigia no automático, absorto em meus pensamentos.

Minha mente estava em outro lugar. Nos prazos, nas audiências e em Siena. —  Minha namorada.

Ela é atriz e estava fazendo algumas filmagens fora da cidade.

Já fazia alguns dias desde a última vez que nos falamos direito, e aquela ausência me incomodava mais do que eu gostava de admitir. Ela sempre foi meu ponto de equilíbrio no meio do caos — a única pessoa capaz de me lembrar de quem eu era antes dos processos, da pressão, do sobrenome que carregava peso demais.

Soltei um suspiro baixo, sentindo uma pontada de saudade misturada à preocupação. Meu trabalho exigia frieza, controle absoluto. Mas com Siena… eu não precisava vestir essa armadura.

O celular vibrou no painel, arrancando-me dos pensamentos.

Quando vi o nome dela na tela, meu semblante mudou automaticamente.

Atendi sem hesitar.

— Oi, princesa. Bom dia. — Minha voz saiu mais leve. — Eu te mandei mensagem… por que não respondeu?

— Eu estava gravando… — respondeu ela com um tom suave, mas um pouco distante demais para o meu gosto.

— Está tudo bem? — perguntei franzindo o rosto. — A gente não se vê há dias. Fiquei preocupado.

Houve uma breve pausa antes da resposta.

— Philip… eu vou ter um tempo livre neste fim de semana. Podemos nos encontrar? Precisamos conversar.

Sorri, mesmo sem perceber.

— Claro. Eu te pego às sete. — Respondi prontamente.

— Está bem.

A ligação se encerrou e, por alguns segundos, fiquei olhando para o painel do carro, sentindo o peito mais leve.

Foi então que tudo aconteceu.

Um vulto surgiu repentinamente à frente do carro, me fazendo frear bruscamente.

— Que diabos é isso? – Perguntei soltando o cinto e saindo do carro sentindo o coração disparar. — Você enlouqueceu?!

Minha voz soou mais alta do que eu esperava, mas também pudera, a mulher estava agachada no meio da rua de costas para mim.

Ela se levantou e se virou.

Assim que nossos olhos se encontraram, eu a reconheci imediatamente. – A balconista da cafeteria.

Selena.

— Você… — franzi o cenho. — Isso só pode ser brincadeira!

Ela me apontou o dedo, fingindo surpresa.

— Você!

Soltei uma risada incrédula.

— Bela encenação. — Passei a mão pelo cabelo, irritado. — Você fez isso de propósito, não foi? Se jogou na frente do carro só para se vingar?

— O quê?! — Ela arregalou os olhos, claramente ofendida. — Você está maluco? Isso não tem nada a ver com você!

— Não minta. — Falei avançando um passo. — Você me seguiu. Como me achou? O que você quer de mim?

Ela soltou uma risada curta, cheia de ironia.

— Você deve estar completamente fora de si. — respondeu ela. — Eu estava indo para um compromisso, quando vi esse passarinho ferido e parei para salvá-lo.

Assim que ela falou, olhei para as mãos dela confirmando o que ela havia dito.

E então, soltei um riso irônico.

—Quem em sã consciência, se jogaria na frente de um carro por um...passarinho?

Ela respirou fundo, visivelmente irritada.

— Só uma pessoa egoísta e sem coração pensaria assim. — Disse ela, estendendo as mãos na minha direção. — Eu estava tentando ajudar ele antes que você passasse por cima, seu louco!

Fiquei em silêncio por um segundo, vendo um pássaro em suas mãos, encolhido e com a asa ferida.

— Louco? — retruquei, recuperando a irritação. — Não fui eu quem se jogou na frente de um carro sem pensar!

— Seu babaca! — ela gritou. — Você é um louco arrogante sem coração. Vai acabar sozinho, afundado nessa sua ganância e sem conhecer o amor de verdade!

Antes que eu pudesse responder, ela se virou e saiu apressada, desaparecendo entre as pessoas.

Fiquei parado por alguns segundos, tentando recuperar o controle.

Passei a mão pelos cabelos, respirando fundo.

Por pouco, eu — o homem que sempre controlava tudo — não perdi completamente a cabeça.

Ignorei o episódio e segui para o escritório.

Assim que entrei no prédio, caminhei direto até minha sala, vendo minha assistente se aproximar com expressão tensa.

— Senhor Caldwell…

— Onde está a babá? — perguntei, já tocando a maçaneta.

— Houve um pequeno imprevisto. Ela já está a caminho. — respondeu Alice um pouco nervosa. — Vou ligar novamente…

— Faça isso.  — Falei entrando na sala e enquanto eu caminhava até a minha mesa, pude ouvir alguns murmúrios vindos do corredor.

— Desculpa o atraso. Um louco quase me atropelou!

Não demorou muito até que a porta fosse aberta novamente.

— Senhor Caldwell, ela chegou. — disse minha assistente, abrindo espaço.

Ajustei o terno e dei alguns passos à frente, vendo-a parar na moldura da porta.

E quando nossos olhares se encontraram, o choque foi imediato.

— Você?! — falamos quase ao mesmo tempo.

Meu corpo travou.

Eu então, perguntei incrédulo:

— Por que você está aqui?

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