Capítulo 03 - Eu farei isso

Selena Foster – Narrando.

A noite já havia caído quando cheguei em casa.

Mal saí do elevador e meu celular já estava vibrando com mais uma notificação da dívida do hospital.

Eu nem tive tempo de me sentir triste por ter sido traída pelo Homem que eu amava; agora a minha preocupação era: como eu irei pagar essa dívida?

Desempregada – Eu precisava dar um jeito.

Caminhei até a porta do apartamento que eu dividia com Alice — minha melhor amiga e, muitas vezes, minha única salvação – Assim que abri, a vi sentada e de costas para mim.

— Cheguei — Falei em um tom baixo, sentindo um clima pairar sobre o cômodo.

O cheiro de café invadia o lugar e ela segurava uma xícara com uma postura rígida.

Algo não parecia bem.

—O que houve? – Perguntei indo até ela.

Alice passou as mãos pelo rosto e depois pelos cabelos, soltando um suspiro longo.

— Problemas de trabalho. — a voz dela soou aflita. — E agora? onde eu vou arrumar alguém para cuidar daquelas crianças a essas horas?

Ela largou o celular sobre a bancada com força contida.

— O que houve? — perguntei, tirando os sapatos e me aproximando. — Pelo visto, você está com mais problemas do que eu.

Tentei brincar, mas o sorriso saiu fraco.

— Nem me fale! meu chefe está com problemas de novo. Nenhuma babá para naquela casa.

Ela fez uma pausa e se virou para me encarar.

— Não sobrou ninguém, Selena. Todas as babás da agência foram contratadas… e dispensadas em menos de um dia. Todas ignoram os requisitos e tentam o agarrar.

Soltei um riso curto, sem humor.

— Ok, você ganhou. Definitivamente está pior do que eu.

Alice trabalhava para um dos advogados mais renomados da cidade. Um homem conhecido por nunca perder um caso — e, pelo visto, por não conseguir manter uma babá por causa do seu charme.

Ela se levantou, serviu café e me estendeu uma xícara.

— E você? — perguntou com cuidado. — O que aconteceu?

Aceitei o café e me sentei ao lado dela.

— Eu e Daniel terminamos. – Falei soltando um respiro profundo. —Ele...Ele me traiu!

Ela arregalou os olhos pela surpresa.

— O quê?

— Sim. Fui ao apartamento dele para organizar algumas coisas e...eu o peguei na cama com aquela amiga do trabalho de que ele tanto falava.

—Que imbecil. – Resmungou ela, tocando meu ombro direito. —Amiga, eu sinto muito.

Expirei fundo e a olhei, vendo-a perceber que havia mais algo preso em mim. – Ela me conhecia bem.

—O que mais aconteceu? – Perguntou ela, me vendo soltar um sorriso amargo e virar o rosto evitando a olhar.

—Nada. Só...pensei que meu dia não pudesse ficar pior, mas aí, fui demitida.

Alice bateu levemente a xícara sobre o balcão.

— Selena! – Ela chamou meu nome com um tom de lamento.

Sorri de lado e a encarei, secando uma lágrima que não havia percebido cair antes.

— Alice… quanto o seu patrão está pagando? – Perguntei aleatoriamente, colocando um sorriso forçado nos lábios.

Ela franziu a testa.

— Por quê? Conhece alguém?

Segurei as mãos dela e sorri, mesmo sentindo o desespero apertar meu peito.

— Sim. Eu!

Assim que falei, Alice se engasgou com o café.

— Você? — me olhou como se eu tivesse enlouquecido. — Selena, aquele emprego não é fácil. De verdade. Você acha mesmo que aguenta?

Me levantei, cruzando os braços, tentando parecer mais confiante do que me sentia.

— Eu não estou em posição de escolher, Alice. Eu preciso de um emprego. Preciso pagar todas aquelas contas e sobreviver. Não dá para ficar a vida toda aqui te atrapalhando.

Ela se levantou também e me olhou nos olhos, soltando um respiro profundo. – Alice me entendia e eu sabia disso.

— Ele precisa de alguém que goste de criança, saiba cuidar e seja dedicada — disse ela com seriedade.

Inclinei a cabeça, tentando aliviar o peso do momento.

— Isso eu sou, né?

Ela respirou fundo antes de continuar:

— Mas ele exige também que a babá não se apaixone por ele. Esse é o principal!

Olhei para Alice por um segundo… e então soltei um riso curto.

— Não há problema nenhum. Eu não estou interessada em relacionamentos, ainda mais depois de hoje. Nunca mais vou confiar em um homem para namorar.

Ela me observou em silêncio, avaliando cada palavra.

— Selena, você tem certeza? Esse homem é difícil. As crianças vêm cheias de traumas, e a rotina não é leve.

Segurei as mãos dela com firmeza.

— Alice, eu só preciso de um trabalho que pague bem agora. Só isso. O resto… eu dou um jeito. Eu sei me virar!

Ela me puxou para um abraço apertado.

— Tudo bem. Vou ligar para ele. Mas esteja preparada.

Retribuí o abraço e sorri. Eu estava confiante de que as coisas dariam certo.

—Avise seu chefe que ele não precisa se preocupar. A nova babá estará lá as sete da manhã e nunca se apaixonará por ele!

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