Tâmara sempre acreditou que o poder verdadeiro não estava nos gritos, nem nas ameaças diretas, mas na convicção de que o outro não teria coragem de reagir.
Por isso, quando Adrian deixou de discutir, ela interpretou como vitória.
O silêncio dele parecia confirmação.
A postura controlada, submissão.
A presença constante com Lucas, apenas uma tentativa tardia de compensação.
Ela não percebeu o que havia mudado porque olhava apenas para o tabuleiro jurídico — e ignorava o humano.
O erro começou pequeno.
Uma conversa atravessada no corredor.
— Lucas vai dormir comigo hoje — disse ela, sem consultar.
— Não — respondeu Adrian, simples.
Ela parou.
— Como é?
— Ele não quer — repetiu. — E eu respeito isso.
— Você não decide isso.
— Eu decido quando se trata do medo do meu filho.
Tâmara sorriu.
— Medo é interpretação.
— Então vamos interpretá-lo juntos — respondeu Adrian. — Com um profissional.
O sorriso dela vacilou, mas voltou rápido demais.
— Está tentando me intimidar com psicologia agora?