####CAPÍTULO 35

O DESPREZO COMO LUCIDEZ

Delila

O quarto era excessivamente silencioso, como um eco distante, para alguém que acabara de retornar de uma viagem internacional.

— Cortinas espessas e móveis sofisticados cercavam-me, enquanto um perfume estrangeiro impregnava o ar — tudo ali exalava ares de conquista, mas não de pertencimento, como uma bela pintura que não se podia tocar.

A casa em Londres nunca foi verdadeiramente minha; sempre foi apenas um símbolo, um endereço, uma vitrine que não refletia minha essência.

— Essa percepção se tornou evidente desde o primeiro dia, como se eu estivesse ciente da superficialidade de um evento que não me pertencia, como um espectador em uma peça onde não tinha um papel.

Quando meu celular vibrou sobre a penteadeira, não me espantei, estendi a mão, tranquila, já prevendo a natureza da mensagem que encontraria.

— O nome na tela confirmou minha expectativa: Catherine, estava demorando, suspirei, não
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