Aurora chegou à empresa mais cedo do que o habitual.
Não por obrigação.
Por hábito.
A chuva da noite anterior já parecia distante, mas algo nela ainda não tinha se reorganizado por completo.
Passou pela catraca, cumprimentou a recepcionista e seguiu até sua mesa. Abriu o notebook, organizou a agenda do dia, revisou os e-mails.
Tudo normal.
Quase.
— Bom dia, Aurora Boreal.
Ela levantou o olhar.
Henrique estava parado ao lado da sua mesa, impecável como sempre. Terno escuro, postura confiante, expressão de quem já dominava o dia antes mesmo de começar.
— Bom dia, doutor Henrique.
— Atrasada hoje.
Aurora franziu o cenho.
— Cheguei quinze minutos antes do meu horário.
— Então está dentro do limite mínimo de produtividade — respondeu ele. — Parabéns.
Ela sustentou o olhar por um segundo.
Antes, aquilo a irritaria.
Agora… apenas achou previsível.
— Qual é a pauta de hoje? — perguntou, sem entrar no jogo.
Henrique arqueou levemente a sobrancelha.
— Re