O carro parou em frente ao prédio de Aurora.
A chuva ainda caía, mas mais fraca, como se tivesse cansado junto com ela.
Henrique desligou o motor, mas nenhum dos dois se mexeu imediatamente.
O silêncio era diferente agora. Não era incômodo. Era apenas… cheio.
— É aqui — disse Aurora, baixo.
Henrique assentiu, sem olhar para ela.
— Bom bairro.
— É tranquilo.
— Não parece com você.
Ela virou o rosto, intrigada.
— Como assim?
Henrique deu de ombros.
— Parece calmo demais. Você vive em conflito com tudo.
Aurora quase riu.
— Isso foi uma crítica?
— Observação clínica.
Ela soltou um suspiro leve e abriu a porta.
— Obrigada pela carona.
— Não agradeça — respondeu ele. — Já disse.
Aurora saiu, mas hesitou antes de fechar a porta.
— Henrique?
— Hm?
— Você não precisava ter voltado.
Ele a olhou por alguns segundos.
— Eu sei.
Silêncio.
— Mas voltou — completou ela.
Henrique desviou o olhar por um instante.
— Não gosto de deixar coisas pend