O carro parou em frente ao prédio de Aurora. Ela soltou o cinto devagar, como se aquele gesto simples marcasse algo maior do que apenas o fim de uma carona. Pegou a bolsa no banco de trás, ajeitou a alça no ombro e ficou alguns segundos em silêncio.
Henrique permanecia com os olhos fixos à frente, as mãos firmes no volante, a postura rígida demais para alguém que tinha passado o dia inteiro ao lado dela. Não a olhava. Não dizia nada. Era como se a presença dela tivesse se tornado um ruído incôm