Clarice Martins
“Eu sequer perguntei seu nome.”
Logo descartei a possibilidade; se ele era um faz-tudo, ajudava todo mundo do prédio então.
“Sou muito paranóica. Deve ser a falta de trabalho mexendo com a minha cabeça.”
Soprei, ouvindo a porta do meu apartamento abrir.
— Ei, eu achei que tinha perdido você! — disse Laura, apenas com a cabeça para fora em primeiro momento.
Ela me olhou com estranheza e então considerou os acontecimentos e o momento.
— Está fazendo o quê? — ela me encarou; Ruan apareceu atrás dela.
— Estava… — olhei novamente para a porta do vizinho. — Nada… eu estava apenas tomando um ar.
Disfarcei minha vergonha. O que eu diria, afinal? Que estava tentando perturbar a paz do vizinho? Ele pensaria imediatamente que eu já estava me sentindo solitária.
Então, meus planos de ser uma adulta vivendo com seu filho seriam questionados pela quinta vez, em curtos períodos de tempo.
Logo os encarregados da mudança encheram o corredor com minhas coisas. Frustrada, tive