POV Amara
O silêncio depois do choro é diferente.
Não é vazio. É denso. Carregado. Como o ar antes de uma tempestade que já levou tudo, mas ainda não decidiu ir embora.
— Dorme aqui hoje — eu digo, quase num sussurro, antes que a coragem fuja. — Por favor.
Ele levanta o olhar devagar, como se tivesse medo de ouvir isso. Como se qualquer coisa boa agora fosse frágil demais para tocar.
— Tem certeza? — pergunta, a voz rouca, cansada, quebrada.
Eu assinto.
Não confio na minha voz.
Seguimos juntos