POV Amara
A sala do investigador cheira a café velho e papel guardado tempo demais. Não é um lugar feito para revelações bonitas. É feito para verdades feias, daquelas que arrancam a pele da gente sem anestesia.
Elise está sentada ao meu lado. Coluna ereta, pernas cruzadas, expressão afiada. Ela parece calma, mas eu conheço minha prima. Quando ela fica silenciosa assim, é porque já está montando o tabuleiro inteiro na cabeça.
O investigador, Augusto Farias, cinquenta e poucos anos, olhos cansad