POV Amara
A noite cai como quem convida.
Depois de dias que pareceram meses, o corpo pede música, luz baixa, barulho de gente viva. Não hospital. Não processos. Não vingança. Só… movimento.
— Se você disser “não”, eu vou te arrastar assim mesmo — Elise avisa, já passando batom na frente do espelho da sala de Sabrina. — E vou culpar os hormônios.
— Ela não pode beber — Sabrina lembra, prática.
— Eu sei. — Elise pisca. — Mas dançar ela pode. E muito.
Acabo cedendo. Talvez porque precise. Talvez porque esteja cansada de ser só sobrevivente.
***
O bar-restaurante é daqueles que respiram charme: luz âmbar, música latina misturada com pop internacional, gente bonita fingindo despreocupação. A pista fica cheia rápido.
Sabrina some no balcão com uma bebida na mão. Elise me puxa direto para a pista.
— Nada de pensar. — ela ordena. — Só sente.
E eu sinto.
O chão vibra. O som atravessa o corpo. Elise dança colada em mim, braços soltos, riso fácil. Eu rio também. De verdade. Há quanto tempo eu nã