POV Killian Navarro
O hospital tem um cheiro que não sai da pele.
Não importa quantas vezes eu lave as mãos. Não importa quantos banhos eu tome. O cheiro de antisséptico, sangue seco e desespero fica grudado em mim.
Eu estou sentado há horas na mesma cadeira dura do corredor. A camisa que usei na noite da inauguração foi substituída por outra, limpa, passada... Leo cuidou disso, mas nada em mim está realmente limpo.
Nada.
Eu encaro o chão quando escuto passos apressados. Não preciso olhar para saber quem é. O caos chega antes da pessoa.
— Killian!
A voz de Sabrina corta o corredor como um estilhaço.
Eu levanto os olhos.
Ela está pálida. Os olhos vermelhos. O cabelo preso de qualquer jeito. A bolsa pendurada no ombro como se tivesse esquecido que ainda estava ali. Parece menor do que de costume. Perdida. Assustada.
— Onde ela está? — pergunta, a voz falhando. — Onde está a Amara?
Leo se levanta imediatamente.
— Sabrina… calma. — ele tenta, colocando a mão no braço dela.
Ela se solta.
—