Ao sair do escritório de advocacia, uma ventania furiosa soprava do lado de fora. Grossas gotas de chuva despencavam com força.
Sofia estava parada à beira da rua, tremendo involuntariamente.
Seu celular tocou, com uma ligação de Alexandre.
— Pegou suas coisas? — A voz dele, insolente e carregada de deboche, soou do outro lado.
Sofia ficou em silêncio por alguns segundos antes de perguntar, com a voz rouca:
— O que você quer?
— O que eu quero? — Ele soltou uma risada fria. — Sofia, você realmente não muda. Já que pegou o meu dinheiro, volte imediatamente para casa e deixe o quarto principal limpo. Taís vai dormir comigo hoje.
Mesmo tendo decidido se divorciar, o coração de Sofia ainda se contraiu sem que ela conseguisse evitar, e os olhos arderam com as lágrimas.
Depois de um longo momento, ela reprimiu à força o amargor e respondeu em voz baixa:
— Entendi.
Mas aquela obediência, em vez de satisfazer Alexandre, apenas despertou ainda mais sua raiva.
— Muito bem, Sofia. Você realmente é capaz de deixar o dinheiro comprar até a sua dignidade! — Sua voz sombria e fria, como uma agulha envenenada, atravessou o telefone.
Dito isso, desligou na cara dela.
A chuva caía torrencialmente.
Sofia permaneceu parada sob o temporal, demorando muito para recuperar os sentidos.
Foi somente quando uma senhora que passava bateu preocupada em seu ombro que ela finalmente reagiu.
— Moça, o que aconteceu? Você está bem?
Ela despertou de repente.
Uma dor lancinante vinha da palma de sua mão.
A borda metálica do celular havia pressionado sua pele até deixá-la marcada de sangue, e a região ao redor estava toda arroxeada.
Então, ela ainda ficava triste com isso...
Quando Sofia voltou para casa, estava completamente encharcada. Queria primeiro tomar um banho quente e depois arrumar o quarto principal. Mas, ao encostar a digital na fechadura inteligente para destrancar a porta, recebeu a mensagem de que sua entrada não estava autorizada.
Sofia parou de repente.
Só depois de um tempo percebeu que seu acesso para abrir a porta havia sido revogado.
Ela soltou uma risada amarga, baixou os olhos e bateu levemente à porta.
Ninguém respondeu.
Tentou apertar a campainha mais de uma dezena de vezes.
Ainda assim, não houve resposta.
E assim, sob aquele temporal de ventos violentos e chuva torrencial, Sofia, vestindo apenas uma camiseta de mangas curtas, ficou encolhida em um canto ao lado da porta durante duas horas.
Ela tremia de frio, enquanto a temperatura de sua testa continuava subindo e sua cabeça girava cada vez mais.
Finalmente, com um rangido, a porta da mansão se abriu por dentro.
— Sra. Sofia, pode entrar. — O mordomo saiu com uma expressão fria e a encarou de cima para baixo, sem o menor sinal de compaixão. — O Sr. Alexandre ordenou que, já que a senhora pegou o dinheiro da família Correia, também deveria seguir as regras da família. Essas duas horas foram apenas uma pequena punição. O senhor espera que, daqui para a frente, a senhora saiba se comportar.
O rosto de Sofia estava pálido. Sua mente já estava tão confusa que mal conseguia pensar com clareza.
Ainda assim, entendeu uma coisa: tinha sido Alexandre quem a tinha deixado do lado de fora, no frio, de propósito.
Ela soltou uma risada amarga e autodepreciativa, levantou-se cambaleando e entrou em silêncio.
Tomou banho e trocou de roupa, permanecendo atordoada.
Depois, sustentando-se apenas pela força de vontade, conseguiu arrumar o quarto principal. Quando finalmente voltou ao quarto de hóspedes, caiu de cabeça no chão e perdeu completamente a consciência.
Em meio à inconsciência, Sofia sentia como se, às vezes, seu corpo estivesse sendo consumido por um fogo intenso e, em outras, fosse lançado às profundezas de um abismo glacial.
A intensa sensação de sufocamento a fazia se desesperar, mas, por mais que tentasse, não conseguia despertar.
Até que uma força enorme agarrou seus cabelos, ergueu-a do chão e lhe desferiu dois tapas violentos.
O grito de Taís ecoou por toda a mansão. Ela estava com as roupas parcialmente desarrumadas, cobrindo o peito com as mãos, enquanto atrás dela havia roupas espalhadas por todo o chão, desde a porta do quarto até o corredor.
— Você está deitada no chão do quarto principal, fingindo o quê? Está fazendo isso de propósito para constranger Taís, não é? — Os olhos de Alexandre estavam tomados pela fúria.
Sofia despertou completamente e finalmente entendeu o que havia acontecido.
Ela desmaiou antes mesmo de chegar ao quarto de hóspedes, enquanto Alexandre e Taís, por sua vez, haviam entrado pelo corredor, incapazes de esperar, avançaram até ali em meio à intimidade.
— Alexandre, ela fez isso de propósito. Se isso vier a público, como vou conseguir encarar as pessoas? — O rosto de Taís estava vermelho de vergonha, e lágrimas se acumulavam no canto de seus olhos.
Assim que terminou de falar, começou a chorar, virou-se para correr para fora, mas tropeçou e quase caiu.
Um lampejo de raiva passou pelos olhos de Alexandre. Ele imediatamente avançou e a segurou com firmeza nos braços.
— Saia daqui! — Ele virou-se e gritou para Sofia.
No entanto, Taís se debateu desesperadamente, chorando e fazendo escândalo. Agarrou qualquer coisa que encontrou e começou a arremessá-la para todos os lados.
Um vaso de cristal atingiu com força a testa de Sofia.
Com um estrondo, o cristal se despedaçou sobre sua cabeça, enquanto sangue quente escorria pelo seu rosto.
Sofia já estava tonta e desnorteada, quase caiu de joelhos no chão. A dor era tão intensa que parecia uma tortura interminável.
Atordoada, levantou a mão e tocou o ferimento na testa. Estava quente.
Então ela estava com febre...
Sofia se lembrou de como Alexandre ficava extremamente preocupado quando ela tinha febre alta.
Para fazer sua temperatura baixar o mais rápido possível, ele chegava a entrar em uma câmara fria para esfriar o próprio corpo antes de voltar e abraçá-la com força.
— Sofi, ver você doente é pior que a morte para mim. Se eu pudesse, trocaria de lugar com você.
Mas, agora, aqueles momentos que um dia fizeram seu coração disparar já haviam desaparecido completamente. Tudo o que restava era o sofrimento cada vez mais profundo que os dois infligiam um ao outro.
Alexandre olhou para o estado debilitado dela e seu rosto enrijeceu de repente. Suas mãos se fecharam inconscientemente. Ele estava prestes a avançar quando a voz chorosa de Taís soou, embargada:
— Alexandre, por favor, me solte, me deixe ir.
— Mesmo antes, não importava o que acontecesse, ela apenas se ajoelhava no chão sem permissão para levantar a cabeça. Agora está olhando diretamente para mim. Não está fazendo isso para me humilhar? Para me dizer que este é o quarto dela e que eu não tenho o direito de entrar?
— Não fique zangada. Eu vou fazer justiça por você. — Alexandre a levantou e beijou delicadamente o alto de sua cabeça. — Venha. Vá se sentar na cama. O resto deixe comigo.
Depois de dizer isso, empurrou Sofia para o lado e caminhou em direção à cama.
Sofia cambaleou vários passos para trás. A sua lombar bateu com força na quina de um armário baixo, e uma dor aguda percorreu seu corpo inteiro. Ela caiu desajeitadamente no chão, como se fosse ela a amante desprezível e imunda daquela história.
Ela soltou uma risada amarga e autodepreciativa, conteve a dor e se esforçou para se levantar.
— Eu não fiz de propósito. É só que não estou me sentindo bem... — Disse ela, com calma.
— Não está se sentindo bem? — Alexandre a interrompeu. — Agora até suas desculpas são malfeitas? Depois de colocar o dinheiro nas mãos, você ficou com preguiça até de fingir?! Você realmente continua tão desprezível quanto sempre foi!
Sofia ficou imóvel, sem palavras. Não conseguia explicar.
— Ficou sem palavras, foi? — Ao vê-la naquele estado, a raiva de Alexandre aumentou ainda mais. — Muito bem. Já que é assim, se a filha comete um erro, o pai assume a responsabilidade pelo erro da filha! Alguém! Avisem a clínica psiquiátrica para cuidarem muito bem do meu querido sogro!