— O que você está tentando fazer?! Se quer descontar em alguém, venha atrás de mim! Não machuque o meu pai! — Sofia arregalou os olhos, tomada pelo pânico.
Sem se importar mais com a própria dignidade, caiu de joelhos e implorou desesperadamente a Alexandre. Mas ele sequer voltou a olhar para ela.
— Tire-a daqui! Não deixe que ela incomode a Taís! — Ele rugiu para o mordomo do lado de fora.
O mordomo imediatamente avançou e arrastou Sofia para fora do quarto principal com brutalidade.
Com um estrondo, a porta se fechou com força.
— Alexandre, por favor, não machuque o meu pai! — Sofia ajoelhou-se do lado de fora e, aos prantos, implorando. — Ele já está em estado vegetativo! Realmente não aguenta mais nenhum tormento!
Entretanto, do outro lado da porta, os sons de prazer desenfreado começaram a ecoar. Como ondas violentas, eles afogaram completamente o último resquício de esperança que ainda restava em seu coração.
Uma onda após a outra.
Antes mesmo que a humilhação chegasse, o desespero já havia despedaçado o coração de Sofia.
Ela não podia mais esperar. Sem se importar com o corpo ardendo em febre ou com a dor que tomava conta de cada parte de seu corpo, levantou-se e correu para a tempestade do lado de fora.
Com o tempo tão ruim, Sofia não conseguiu encontrar um táxi. Correu por mais de dez quilômetros sob a chuva torrencial. Caiu pesadamente na lama várias vezes, mas conteve a dor, levantou-se à força e continuou.
Finalmente, coberta de sujeira e lama, entrou na clínica de repouso e viu seu pai, em estado vegetativo, deitado sozinho na entrada do subsolo. Sua respiração era fraca, e metade de seu corpo estava completamente encharcada pela chuva.
Havia faixas de contenção presas ao corpo dele, apertando seus quatro membros até deixá-los azulados pela pressão.
Em seu rosto envelhecido e pálido ainda restavam lágrimas involuntárias, derramadas por puro instinto.
Ao ver o estado do pai, o coração de Sofia se partiu.
Ela correu até ele como uma louca e usou toda a força que ainda lhe restava para tentar empurrar a maca um pouco mais para dentro, para protegê-lo da chuva.
Mas o peso do pai, somado à estrutura de metal puro da maca, era demais. Sofia, já ardendo em febre e quase completamente sem forças, não conseguiu movê-la nem um centímetro.
Se aquilo continuasse, sem os aparelhos para manter seus sinais vitais, o pai poderia morrer a qualquer momento.
Sem outra escolha, Sofia ligou para Alexandre.
— Alexandre, por favor! Eu faço o que você quiser! Apenas poupe o meu pai! — Sua voz tremia descontroladamente.
Mas, do outro lado da linha, quem respondeu foi a voz debochada de Taís.
— Sofia, você me bateu, me xingou e ainda me mandou para aquele lugar. Você acha que vou deixar isso barato? Vamos acertar cada uma dessas contas, uma por uma. Não está aguentando? Isso é só o começo! — Antes que Sofia pudesse reagir, Taís elevou subitamente o tom. Sua voz tornou-se aguda e estridente. — Sra. Sofia, eu só não queria colocar o Alexandre em uma situação difícil, por isso pensei em tomar a iniciativa e tentar fazer as pazes com você. Por que você precisa me humilhar com palavras tão cruéis?! Eu... eu só amo o Alexandre de verdade... — Ela falava entre lágrimas, parecendo extremamente frágil e indefesa. — Nunca pensei em cobiçar nada que fosse dele. Muito menos quero disputar com você o lugar de esposa ou os bens da família Correia...
Sofia sentiu que algo estava errado, mas já era tarde demais. Como esperado, no segundo seguinte, a voz sombria de Alexandre veio pelo telefone:
— Sofia, você realmente não tem mais salvação!
— Não é isso. Eu só quero pedir que você poupe o meu pai... — Sofia imediatamente tentou explicar.
— Chega! — A voz dele estava tomada pela raiva. — Você acha que eu não sei que tipo de pessoa você é? Taís já é compreensiva o bastante. Você precisa mesmo levá-la à morte por causa dos bens da família Correia?! Você me decepcionou profundamente!
O peito de Sofia parecia estar sufocado, como se fosse impossível respirar.
Ela não conseguia se defender, até dizer uma única palavra a mais pareceria uma desculpa. Porque Alexandre já havia decidido que ela era culpada. Não importava o que dissesse, ele jamais acreditaria.
Quando Alexandre voltou a falar, seu tom era frio e firme. Cada palavra era como uma lâmina afiada, cortando o coração de Sofia.
— Você não quer que eu poupe o seu pai? Muito bem. Então fique no sanatório e lave bem esse cérebro. Quero que você finalmente acorde para a realidade!
Os nervos de Sofia se agitaram. Ela já havia percebido o que Alexandre pretendia fazer.
Aquela clínica psiquiátrica possuía os equipamentos mais avançados de terapia eletroconvulsiva. Eram mais do que suficientes para fazê-la "recuperar a consciência".
— Não... Alexandre... você sabe que eu vou morrer...
Sofia sofria de depressão severa há muitos anos. Para uma pessoa comum, a terapia com eletrochoque talvez representasse apenas dor, mas, para ela, seria como uma catástrofe.
Naquele ano, quando seu pai foi vítima das armações dos inimigos, os dois foram presos e torturados juntos por três dias em cadeiras de choque elétrico.
Quando finalmente foram resgatados, Sofia estava com o corpo inteiro arranhado. Todas as dez unhas estavam quebradas e arrancadas. Seu corpo estava coberto de sangue, a ponto de não ser possível reconhecer seu rosto.
Foi a partir daquele momento que ela desenvolveu depressão.
Sempre que se lembrava daquele episódio, tinha uma crise, chegando a se automutilar severamente.
No ano em que Alexandre mais a amou, ele sequer ousava mencionar a palavra "elétrico", com medo de desencadear uma crise nela.
— Alexandre... por favor... — A voz rouca de Sofia carregava a última súplica por aquele relacionamento. Ela implorava para que, mesmo sem amá-la, ele pudesse ter compaixão dela apenas uma vez.
Alexandre ficou em silêncio.
Por um instante, Sofia acreditou que ele levaria em consideração os sentimentos que um dia existiram entre eles. Mas ele apenas respondeu friamente:
— E daí? Justamente por isso você precisa aprender a lição de uma vez por todas!
O coração de Sofia afundou instantaneamente em um abismo sem fim.
Ele havia dito: "E daí?" Era como dizer claramente a Sofia que, por Taís, ele agora era capaz de empurrá-la para um precipício sem hesitar.
Sofia desabou no chão, perdendo toda a força.
O celular caiu na água barrenta. Pouco depois, entrou em curto-circuito. A tela piscou algumas vezes e então apagou de vez.
Os médicos da clínica psiquiátrica saíram rapidamente e arrastaram Sofia para dentro, amarrando-a à cama de eletroterapia.
Não importava o quanto ela se debatesse, eles permaneceram frios, como demônios saídos do próprio inferno.
— O Sr. Alexandre deu ordens para não pegarmos leve com você. Quanto mais intenso for o seu sofrimento, por mais tempo seu pai poderá permanecer vivo com a ajuda dos aparelhos!
Sofia finalmente desistiu de lutar e uma risada miserável escapou de seus lábios.
Taís era a nonagésima nona amante de Alexandre, mas acabou se tornando a única, a definitiva, aquela para quem ele sempre voltava.
E o sofrimento que ele lhe infligia já não era mais fruto da raiva de ter descoberto o acordo e perceber que seu amor não seria correspondido.
Ela realmente havia percebido tudo tarde demais...
O aparelho de eletrochoque foi ligado, o zumbido era agudo e ensurdecedor.
Sofia fechou os olhos em desespero.
— Ah! — No instante em que a corrente elétrica percorreu seu corpo, ela soltou um grito dilacerante.