Capítulo vinte e dois

Desirée

Eu ainda estou parada ali, olhando a porta por onde Helena acabou de sair, sentindo meu peito apertar como se tivesse perdido o ar junto com ela. O engenheiro, Cláudio, um homem na casa dos cinquenta, gentil, observador, experiente — limpa a garganta discretamente.

— Desirée — ele diz com calma — vamos sentar?

Eu forço um sorriso sem alma e sigo até a mesa onde ele já havia escolhido um lugar. Ele se posiciona em frente a mim, abre a pasta com as plantas e documentos, mas não diz nada. Está me observando.

Eu o conheço o suficiente para saber quando ele está analisando mais do que o projeto.

— Quer conversar sobre o orfanato? — pergunto, tentando recuperar minha postura.

Ele inclina a cabeça, como quem vê através de uma parede.

— Posso — ele responde — mas me parece que tem outra coisa que precisa ser conversada primeiro.

Congelo por um segundo.

— Como assim?

Cláudio respira fundo, entrelaça os dedos e fala com a calma de quem já viu muito da vida.

— A moça que acabou de sair…
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