Desirée
Eu ainda estou parada ali, olhando a porta por onde Helena acabou de sair, sentindo meu peito apertar como se tivesse perdido o ar junto com ela. O engenheiro, Cláudio, um homem na casa dos cinquenta, gentil, observador, experiente — limpa a garganta discretamente.
— Desirée — ele diz com calma — vamos sentar?
Eu forço um sorriso sem alma e sigo até a mesa onde ele já havia escolhido um lugar. Ele se posiciona em frente a mim, abre a pasta com as plantas e documentos, mas não diz nada. Está me observando.
Eu o conheço o suficiente para saber quando ele está analisando mais do que o projeto.
— Quer conversar sobre o orfanato? — pergunto, tentando recuperar minha postura.
Ele inclina a cabeça, como quem vê através de uma parede.
— Posso — ele responde — mas me parece que tem outra coisa que precisa ser conversada primeiro.
Congelo por um segundo.
— Como assim?
Cláudio respira fundo, entrelaça os dedos e fala com a calma de quem já viu muito da vida.
— A moça que acabou de sair…