Capítulo trinta e um

Miguel

A sala está destruída, o chão coberto de cacos, as paredes sujas, os móveis revirados. O caos externo é quase um reflexo perfeito do que sinto por dentro. Mas, quando finalmente me sento no sofá destruído, uma ideia começa a tomar forma.

Uma ideia brilhante.

Uma ideia necessária.

Helena pode estar me evitando, mas ela nunca conseguiria ignorar uma coisa: a possibilidade de eu morrer.

Levanto devagar, respirando fundo enquanto formulo meu plano. Eu preciso de algo convincente, algo que explique minha ausência, meu silêncio, meu descontrole. Algo que force Helena a voltar para o meu lado. A preocupação dela sempre foi minha maior arma.

Dirijo até o hospital particular mais caro da cidade. Eles não fazem perguntas para quem paga bem.

Chego à recepção, desarrumo os cabelos, desfoco o olhar, deixo o corpo cair num peso teatral. Pratico uma respiração ofegante, controlada, exagerada o suficiente para causar alarde sem levantar suspeita.

— Eu acho que vou desmaiar — digo, segurando a
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