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Capítulo 7: Os Noivos

Camargo Debres

— Ele é meu noivo — ela repete após um silêncio constrangedor.

Olivia ri, não acreditando na amiga. O seu rosto cai repentinamente.

— Vocês os dois se conhecem? — ela pergunta devagar, girando os olhos para mim e para Cleusa. Ela encolhe os braços com rosto de quem quer chorar, percebendo que certamente nos conhecemos e que possivelmente somos mesmo noivos como a amiga disse.

— Camargo? — Olivia chama o meu nome, a voz a tremer. — O que é que ela está a dizer? É verdade?

Cleusa está tensa, com o corpo virado para mim, as mãos semi-abertas abertas 

— Responde, Camargo — diz Cleusa, e a voz dela é tão séria quanto a de Olivia. — Diz à tua amiga a verdade. Quem sou eu para ti? O que somos nós?

As duas mulheres estão à minha frente.

Olivia à esquerda, os olhos molhados, o corpo de quem acabou de ser atropelada. Cleusa à direita, os olhos fixos, o queixo erguido.

As duas querem a mesma coisa.

Resposta.

As duas merecem uma resposta.

E eu, Camargo Debres, que sempre soube o que dizer, estou mudo.

— Somos — finalmente falo, decidido a não ser centro de drama. E vou pegar a mão da Cleusa — ela é só passatempo — eu digo, me referindo a Olivia. Sinto a dor subir e aumentar quando vejo pequenas lágrimas saírem da Olivia. Acabei de falar algo que jamais quis falar e que era uma grande mentira, saído de um desespero de querer dar qualquer resposta.

Levo a mão para o meu peito e pressiono, porque está verdadeiramente doendo.

— Está tudo bem? — pergunta Cleusa, Olivia ainda sentinela a não conter as lágrimas. A única coisa que me veio à cabeça foi fugir com a minha dor e arrependimento. Eu saio às pressas para o carro, Cleusa me segue.

— Camargooo — chama docilmente — o que tem?

Eu a ignoro e arranco o carro e vou-me embora. Abro a porta-luvas só para ver com dor o último presente que ainda não tinha dado a Olivia, uma rosa, que me excitava muito mais pensar nela recebendo do que a comida, os produtos de higiene e beleza e mais utensílios que dei.

Como será que as amigas vão ficar, sozinhas? O que a Olivia vai pensar de mim agora? — me pergunto durante a minha curta viagem para casa.

Droga.

"Cleusa chama Oli de amiga traíra, por que ficou com o meu noivo? Ela tenta se explicar, mas a amiga furiosa não ouve nada, parte para cima com insultos. Oli dá uma tapa furiosa nela que gira sem equilíbrio e cai no sofá e grita um aiii, sua maluca. Ela levanta e se j**a na Oli e a briga corpo a corpo começa. Chapadas com foco nos rostos e chutes nada a ver. Elas agarram os cabelos e fazem puxa-puxa, derrubando coisas por onde andam e se chamando nomes não muito puros, principalmente a Cleusa que é a que mais se sente traída, pelo nois os dois, ela deve procurar no seu vocabulário todos os nomes impuros para os vomitar. Elas caem no chão e Cleusa se arrasta e sobe em cima dela, aperta o pescoço, os olhos dela, muito vermelhos de fúria, sua desgraçada, vagabunda, traíra, ela profere enquanto aperta o pescoço. Oli agarra no cabelo caído da Cleusa e puxa para baixo, Cleusa grita, soltando o pescoço. Oli gira a amiga e ela está em cima agora, levanta uma mão, pronta para dar um tapa bem dado no rosto. Mas ela hesita e levanta, para longe. Cleusa também levanta, as duas mal respirando."

Droga, preciso parar de pensar no pior, senão volto lá, uma coisa que não posso. Então elimino todos pensamentos do que pode estar a acontecer naquela casa e a minha casa está logo ali.

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