O tribunal estava frio, tanto na temperatura quanto na atmosfera. Eu estava sentada no banco reservado aos réus, embora não fosse eu quem estava sendo julgada. Aquele lugar, no entanto, parecia me condenar com cada minuto que passava. Meu advogado ao lado tentava me tranquilizar, mas sua mão no meu ombro era apenas um peso que me empurrava ainda mais para o fundo daquele abismo.
Miguel estava sentado no banco das testemunhas, algemado, mas com uma expressão que me tirava o fôlego. Não era raiva