Miguel
Eu deveria estar esperando meu turno acabar para ir direto para a luta que foi marcada. Em vez disso, estou aqui, no jardim da mansão dos Novaes. Não sei explicar o porquê. Talvez seja culpa daquela noite. Talvez seja ela.
De longe, vejo Clara caminhando, seus movimentos leves, quase como se flutuasse. Há uma serenidade aparente nela, mas, ao mesmo tempo, algo profundo e inquietante parece pesar em seus ombros.
Eu não deveria estar aqui, muito menos observando-a como um idiota. Mas há algo nela que me prende, algo que não consigo ignorar.
De repente, ela para, como se sentisse minha presença. Meu coração acelera enquanto a vejo inclinar a cabeça, seus pequenos movimentos atentos, como se procurasse algo no vazio.
E então, ela fala:
— Olá? Tem alguém aí?
Congelo. Não sei o que dizer. Que desculpa eu teria? O que justificaria minha presença aqui, escondido nas sombras?
— Sei que tem alguém aí. Eu posso ser cega, mas não sou burra. Posso sentir o seu cheiro e a sua respiração ir