Clara
Depois da pergunta exaltada que escapou dos meus lábios, senti o impacto imediato. Meu pai se levantou da cadeira, o som das rodinhas deslizando pelo piso ecoando pela sala. Ele parecia genuinamente assustado com minha pergunta, o tom de voz dele veio logo em seguida, carregado de surpresa.
— Que história é essa, minha filha? Por favor, sente-se aqui.
O barulho de seus passos apressados até mim era inconfundível. Logo senti sua mão firme, porém cuidadosa, em meu braço, guiando-me até uma cadeira próxima à sua mesa. Deixei que me conduzisse, mesmo com meu coração acelerado e uma leve hesitação em meu corpo.
Quando me sentei, a textura do couro frio da cadeira contra minhas mãos me trouxe uma sensação estranha de desconforto. O ambiente ao nosso redor estava silencioso, exceto pelo som abafado de vozes vindo do corredor. Meu pai se aproximou, e o leve ranger da madeira ao lado indicava que ele também havia se sentado novamente.
— O que aconteceu? — ele perguntou, a preocupação evi