Narrado por Elena Volkov
O barulho dos motores do jato era um zumbido constante, mas o silêncio dentro da cabine principal era muito mais ensurdecedor. Dante me jogou no sofá de couro largo e se serviu de um uísque puro, as mãos ainda manchadas com o sangue seco de Nikolai. Ele não disse uma palavra desde que decolamos de Genebra.
Eu estava enrolada no sobretudo dele, sentindo o calor voltando ao meu corpo, mas minha alma ainda estava congelada.
— Dante... — comecei, minha voz falhando.
Ele quebrou o copo de cristal na parede oposta. O som do vidro estilhaçando me fez pular.
— Você tem noção do que eu quase fiz? — ele rugiu, caminhando até mim com uma lentidão que me apavorava. — Eu quase destruí um país inteiro para te achar. Eu quase morri naquela emboscada porque minha mente não conseguia focar em nada além da imagem de você nos braços daquele lixo!
— Eu não queria ir com ele! — gritei, levantando-me, o sobretudo escorregando pelos meus ombros. — Eu estava tentando te avisar! Eu ma