— Acho que é só descanso — respondi rápido, mantendo o tom suave. — Ela não tem febre. Só está com o corpo combatendo o vírus. Eu fiz uma sopa bem leve para ela. Pode ajudar.
Ajudei Célia a se sentar.
Ela mal reagiu, pegou a colher com movimentos lentos e começou a comer a sopa, quase sonambulesca.
Thales observou por um momento, depois se serviu do macarrão e sentou-se à mesa.
Eu me servi apenas do macarrão, comendo em pequenas garfadas, sentindo meu estômago embrulhado.
Eu observava os dois, a velha comendo devagar, ele comendo com uma fome bruta, como se estivesse descarregando a raiva no prato.
— Onde você esteve esse tempo todo? — perguntei, quebrando o silêncio, tentando soar apenas curiosa e não desesperada por informações.
Ele ergueu os olhos do prato.
Eram frios, distantes.
— São Paulo resolvendo uns assuntos.
A resposta vaga me deu um arrepio.
Coisas que tinham a ver com o telefonema furioso, com a Joyce, com Rafael… Meu Deus, com Rafael? A ansiedade voltou com força.