Cap.133

— Acho que é só descanso — respondi rápido, mantendo o tom suave. — Ela não tem febre. Só está com o corpo combatendo o vírus. Eu fiz uma sopa bem leve para ela. Pode ajudar.

Ajudei Célia a se sentar.

Ela mal reagiu, pegou a colher com movimentos lentos e começou a comer a sopa, quase sonambulesca.

Thales observou por um momento, depois se serviu do macarrão e sentou-se à mesa.

Eu me servi apenas do macarrão, comendo em pequenas garfadas, sentindo meu estômago embrulhado.

Eu observava os dois, a velha comendo devagar, ele comendo com uma fome bruta, como se estivesse descarregando a raiva no prato.

— Onde você esteve esse tempo todo? — perguntei, quebrando o silêncio, tentando soar apenas curiosa e não desesperada por informações.

Ele ergueu os olhos do prato.

Eram frios, distantes.

— São Paulo resolvendo uns assuntos.

A resposta vaga me deu um arrepio.

Coisas que tinham a ver com o telefonema furioso, com a Joyce, com Rafael… Meu Deus, com Rafael? A ansiedade voltou com força.

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