Anos se passaram.
Era de manhã quando acordei.
O quarto ainda estava em silêncio, aquele silêncio que só existe antes da casa realmente despertar. A luz entrava pelas frestas da cortina, clara demais para ser ignorada, mas suave o suficiente para não incomodar. Fiquei deitada por alguns segundos, olhando para o teto, sentindo o peso morno do cobertor sobre o corpo e algo indefinido apertado no peito.
Eu estava fazendo vinte e três anos.
Não houve euforia ao pensar nisso. Nem ansiedade.