Um predador a vista. 02

A intensidade na voz dele estava me afetando. O escuro do meu quarto parecia estar diminuindo, e a distância entre nós estava desaparecendo.

Ele tinha acabado de dizer:

— Me diz... quer provar um pouco do que esse app é capaz de fazer com você através de mim?

Foi ali que me pegou.

Chega de me reter, eu nem vou conhecer ele mesmo, não é como se ele fosse me procurar e achar.

— Podemos...

Sussurrei, e a palavra "podemos" soou como um sim definitivo.

— Ótimo. Então vamos esquentar as coisas. Você quer saber o que as outras mulheres daqui falam?

Senti meu sangue gelar. O que elas falavam? O que ele queria dizer com isso?

— Sim. E o que elas falam?

Do outro lado, ouvi o Lobo soltar um som que parecia um risinho distorcido.

— Falam de sexo, pimentinha. De aparência. De coisas profanas.

Ele fez uma pausa proposital, cheia de intenção.

— Você está aberta a falar sobre isso comigo, Pimentinha? Ou a gente fica só na conversa suave mesmo?

Mordi o lábio inferior. Chega de me esconder. Chega de ser a auxiliar invisível. Ele nem sabia quem eu era mesmo. E eu nem ia conhecer ele.

— Pode falar.

disse, tentando manter minha "Voz Velvet" confiante.

— Eu não vou garantir respostas.

— Ok...

ele sussurrou, e a palavra "ok" soou cheia de uma promessa que me deu calafrios.

— Posso ter paciência e ir no teu tempo.

Do outro lado, ouvi o Lobo soltar um som que parecia um suspiro distorcido pelo filtro.

— Sabe, Pimentinha... eu gosto do mistério. Gosto de não saber a cor dos seus olhos, ou como é o seu cabelo.

Ele fez uma pausa proposital, carregada de intenção.

— Mas o app permite falar de aparência. Me fala de você. Do seu corpo...

Prendi a respiração. Era a minha chance de ser quem eu quisesse ser.

Ele nunca saberia mesmo seu eu estivesse mentindo.

— Eu sou...

comecei, tentando manter minha confiante.

— Eu sou... magra.

Mentira. Mentira pura. Mas ele nem sabia.

— Tenho olhos castanhos.

continuei.

— E meus cabelos são castanhos, ondulados...

Ele fez uma pausa proposital, carregada de intenção.

— E você, Lobo?

perguntei me ajeitando na minha cama, puxando a coberta.

— Me fala de você.

— Eu sou... moreno.

ele sussurrou, e a palavra "moreno" soou perigosa e deliciosa.

— Alto... olhos castanhos.

Prendi a respiração.

Eu sabia que ele podia estar mentindo. O app fazia esse joguinho, dava as contas próximas, perto de você.

Pra que os usuários se procurassem entre si.

Por isso tinha se tornado viral, pelo mistério de falar com pessoas próximas anonimamente. E o prazer de descobrir quem era. Na busca prazerosa sem saber nada.

Ele fez uma pausa proposital, carregada de intenção.

— Diz uma coisa, Pimentinha... você está excitada?

A voz dele estava mais baixa, íntima, cheia de uma promessa que me deu calafrios.

— Estou te excitando, Pimentinha?

Mordi o lábio inferior.

Senti um calor subir pelo meu corpo.

— Sim...

Sussurrei, sentindo o peso da minha invisibilidade real no estúdio.

— Você sabe se tocar, Pimentinha?

A voz dele estava mais baixa, íntima, cheia de uma promessa que me deu calafrios.

— Sim... Eu tenho brinquedos.

Do outro lado, ouvi o Lobo soltar um som que parecia um rosnado excitado.

— Eu gosto do que escuto, Pimentinha. O que você tem?

Senti um calor subir pelo meu corpo.

— Vibrador... Plug...

— Eu tenho algemas.

ele disse baixo, e a palavra "algemas" saiu tão perigosa.

— gosta da ideia de ser presa? De ficar a meu mercê?

Meu coração palpitou forte, a adrenalina, mistério e luxúria queimando minha pele.

— Me prenderia lobo?

— Com certeza pimentinha... Eu quero que você faça um ritual comigo agora.

Ritual? O que ele queria dizer com isso?

— Ritual?

Do outro lado, ouvi o Lobo soltar um som que parecia um risinho distorcido.

— Vou te dar comandos, Pimentinha. Dizer o que você vai fazer, e você vai me aobedecer como uma boa menina, você está pronta?

Senti um calor subir pelo meu corpo.

Aí meu Deus... Eu to pronta?

...

Deitada sobre minha cama, sentir um formigar entre minhas pernas. Fazia tanto tempo que não fazia aquilo.

Pressionei minhas pernas uma na outra. Controlando a excitação. Meu Deus... Estava excitada com um cara que eu nunca nem vi na vida. Ou vi... Sei lá. Isso era até pior.

— Quero que você tire a calcinha, Pimentinha. Quero que leve o vibrador ao seu clitóris...

Prendi a respiração. Senti um calor subir pelo meu corpo.

Não faria aquilo... Não com um cara que eu nem sei quem é.

— Esta fazendo o que eu disse?

— Sim... fala o que você faria comigo Lobo.

Menti, mas estava curiosa, muito curiosa.

— Se estivesse com você agora, eu chuparia seus seios pequenos, Pimentinha.

ele sussurrou, e a palavra "pequenos" soou perigosa e deliciosa.

Mordi o lábio inferior

sentir um calor subir pelo meu corpo.

Pequenos? Ah lobo... Não são pequenos.

Eu menti dizendo ser uma mulher magra então, é isso...

mas ele não sabia ponto e a pimentinha que eu criei Era exatamente o que eu queria que ela fosse.

— Eu morderia... levemente. Sentiria o sabor da sua pele. E depois... eu desceria. Beijaria o seu umbigo...

Senti um calor subir pelo meu corpo.

— A algema que eu tenho aqui...

ele continuou, e a palavra "algema" soou perigosa e deliciosa.

— É fria, Pimentinha. De metal. Eu prenderia seus pulsos acima da cabeça. E você não poderia se mover.

Prendi a respiração.

A imagem mental era intensa. Não conseguir não pensar, eu presa e indefesa sob o controle do Lobo.

— Você não está seguindo as regras pimentinha...

— Que?

— Não pegou o vibrador? Eu saberia se você tivesse pego, sua respiração não estaria tão normalizada.

O comando foi direto, sem hesitação. Senti meu rosto queimar. No escuro do quarto.

Ai meu Deus... onde eu me meti...

...

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