Mundo de ficçãoIniciar sessãoELISE:
Nikos se virou e caminhou até o centro do QG, chamando a atenção de todos os funcionários que trabalhavam nos andares abertos. — Atenção todos! A voz dele ecoou pelo estúdio. — Iniciamos hoje a campanha 'AURA'. Quero foco total no mistério. E lembrem-se: o código de conduta sobre relações internas será aplicado com rigor. Voltando ao trabalho! Ele passou por mim, o perfume amadeirado me atingindo em cheio, e por um breve segundo, nossos olhos se cruzaram. O olhar dele era impenetrável, mas havia algo ali... Me fez arrepiar. — Bom trabalho, garota. Acenei com um suspiro e um sorriso impressionado. Sair da sala de reuniões sentindo o peso de cada olhar nas minhas costas, mas a vibração do celular no meu bolso era o que realmente queimava. Eu precisava de ar. Precisava de água no rosto. Entrei no banheiro de mármore escuro do estúdio e me tranquei na última cabine. Respirei fundo, as mãos tremendo enquanto pegava o aparelho. A mensagem do Lobo ainda estava lá, brilhando em roxo: "Estou pensando em você agora, na sua boca gulosa, Pimentinha." Um calor súbito subiu pelo meu pescoço. No app, eu era uma mulher magra, de olhos claros, a fantasia perfeita de um homem misterioso. No espelho daquele banheiro, eu era apenas a Elisa. A porta principal se abriu. O som de saltos altos ecoou no piso de porcelanato, acompanhado por uma voz que eu reconheceria em qualquer lugar: Paola. E, para meu choque, a voz profunda que respondeu era a dele. Nikos. — Não acha que está sendo sério demais com essa história de código de conduta, Nikos? Paola perguntou, o tom carregado de um flerte óbvio. — O AURA é feito para quebrar regras. O meu avatar, por exemplo, é uma Gata Preta... super misteriosa. Você deveria entrar. Desopilar um pouco. Fiquei estática, prendendo a respiração dentro da cabine. — Eu estudei o aplicativo para a campanha, Paola. Não entrei com a intenção de usá-lo para entretenimento pessoal. a voz dele soou fria, profissional. — Você é sempre tão dedicado... ela insistiu, e eu quase podia ouvir o toque dela no braço dele. — Devia tentar. O mistério é excitante. — Eu prefiro o que é real, Paola. Prefiro resolver meus desejos pessoalmente. ele respondeu de forma cortante. Ouvi o som da porta se fechando. Esperei longos minutos em silêncio antes de criar coragem para sair da cabine. Lavei o rosto, encarando meu reflexo. — Isso é loucura... Não tive tempo de processar. Assim que voltei para o andar principal, um assistente me interceptou: "— Elisa, o Nikos quer você na sala dele. Agora." Meu coração disparou. Caminhei até a sala da diretoria, a porta de vidro duplo parecia um portal para o meu julgamento final. Entrei e o vi sentado atrás da mesa de carvalho, analisando alguns contratos. — Feche a porta. ele ordenou sem desviar os olhos. Obedeci. — Sente-se. Fiquei em pé. Minhas pernas não pareciam confiáveis o suficiente para sentar. — Sobre a ideia sensorial que você deu na reunião... ele começou, finalmente me olhando. — Quero que você trabalhe com os roteiristas da campanha. O conceito de "voz" é o que vai vender esse projeto. Ele fez uma pausa, os olhos azuis acinzentados me analisando com uma intensidade desconfortável. — você vai receber por isso. — eu... Eu só dei uma ideia, não sei se sou capaz disso. Meu Deus.. ele quer que eu trabalhe com a equipe de criação? Eu... Eu amo trabalhar aqui, mas nunca passei de uma faz tudo. — Não seria capaz se não tivesse dado a ideia, mas você fez, não dei uma opção a ideia foi sua, não tomo ideia sem dar os direitos e créditos você me entende? — Sim, senhor. Vou fazer isso. — E outra coisa... Você se sentiu incomodada com as palavras da Paola hoje cedo? Sobre os filtros e a aparência? Senti o nó na garganta, mas o engoli. — Não. menti, forçando um tom neutro. — Eu tenho espelho em casa, senhor Santorini. O que ela disse não muda o fato do que eu sou. Nikos estreitou os olhos. Por um segundo, vi um lampejo de algo que parecia... respeito? — Eu não admito comportamentos assim dentro da minha empresa. Se algum outro comentário desse tipo for feito, venha falar diretamente comigo. Ficou claro? — Ficou. Obrigada. Fiz menção de sair, querendo fugir daquela sala antes que meu celular vibrasse de novo, mas a voz dele me deteve na porta: — Elise? — Sim? — A ideia sensorial foi muito boa... especialmente vindo de alguém que disse que não entrou no aplicativo. Senti meu sangue ferver. Corada e completamente envergonhada, forcei um sorriso bobo, bancando a ingênua. — É só o que comentam aqui no estúdio, senhor... sobre as configurações e como o filtro de voz funciona. É o assunto do momento, não é? Ele deu um aceno curto, quase imperceptível, voltando sua atenção para os papéis. — é melhor você baixar ouça as vozes estude o aplicativo, não vou aceitar falhas, é a oportunidade da sua vida acredite nisso. Saí da sala com as pernas bambas. Lá fora, o QG fervia com a nova campanha. E no meu bolso, o celular vibrou de novo. LOBO: "sua falta de respostas me deixa louco pimentinha... Volta para mim, eu vou te deixar louca de novo e você nunca mais vai ousar me deixar esperando" Quase derrubei o celular. Eu só posso ter ficado louca, esse cara tá por aqui... Eu instalei nesse QG... E se eu conhecer? Se o homem que está me desejando já estiver passado por mim? Ai meu Deus, isso era tão arriscado e ao mesmo tempo tão gostoso. Ha... Elise, ele nunca saberia que é você. Repetir para mim mesmo, eu menti feito uma pecadora, e ele nunca, nunca pensaria que era eu. Respondi rápido de forma mais atrevida que podia naquele momento. —" eu vou cobrar... ando ocupada agora mas talvez você me veja hoje lobo, e eu vou adorar saber que tive você tão... Tão perto... Tenta me achar amor. " Enchi o peito de ar indo até o guarda-corpos, tanta gente lá embaixo, podia ser qualquer um... E isso... Era o que mais me excitava. .....






