O sol do meio-dia batia como uma lâmina quente sobre a praça de Belmonte. Era aquele tipo de calor grosso, grudento, que parecia gritar na pele. A poeira subia com cada passo, cada casco, cada roda de carroça que cruzava a rua principal. O cheiro de esterco, suor, couro e gordura de fritura das barracas misturava-se no ar, formando uma massa quase sólida, difícil de respirar.
O leilão fervia. Não só de calor, mas de tensão. Aquelas horas que parecem vibrar no peito, em que todo mundo fala mais